Dissertação

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                    UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
INSTITUTO DE MATEMÁTICA
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM MATEMÁTICA
DISSERTAÇÃO DE MESTRADO

Limitante Superior Extrı́nseco para o Primeiro
Autovalor do Laplaciano

José Ivan da Silva Santos

Maceió
2012

JOSÉ IVAN DA SILVA SANTOS

LIMITANTE SUPERIOR EXTRÍNSECO PARA O PRIMEIRO
AUTOVALOR DO LAPLACIANO

Dissertação de Mestrado, na área de concentração
de Geometria Diferencial submetida em 07 de
Março de 2012 à banca examinadora, designada
pelo Programa de Mestrado em Matemática da
Universidade Federal de Alagoas, como parte dos
requisitos necessários à obtenção do grau de mestre
em Matemática.

Orientador: Prof. Dr. Márcio Henrique Batista da Silva.

Maceió
2012

Catalogação na fonte
Universidade Federal de Alagoas
Biblioteca Central
Divisão de Tratamento Técnico
Bibliotecária Responsável: Fabiana Camargo dos Santos
S237l

Santos, José Ivan da Silva.
Limitante superior extrínseco para o primeiro autovalor do laplaciano / José
Ivan da Silva Santos. – 2012.
73 f.
Orientador: Márcio Henrique Batista da Silva.
Dissertação (Mestrado em Matemática) – Universidade Federal de Alagoas.
Instituto de Matemática. Maceió, 2012.
Bibliografia: f. 73.
1. Isometria. 2. Imersão. 3. Laplaciano. 4. Primeiro autovalor. 5. Limitante
superior. I. Título.
CDU: 514.76

Aos meus pais Djesima Maria e
Antônio Artur.

“Bem sei eu que tudo podes, e que
nenhum dos teus propósitos pode ser
impedido” ...(Jó 42:2)

Agradecimentos
A Deus primeiramente, pois Ele permitiu o acontecimento de todos os meios necessários
para a conclusão desse trabalho. Ao Prof. Dr. Márcio Henrique Batista, Orientador, que
sempre se colocou a disposição quando surgiam as dúvidas, pela contribuição no meu desenvolvimento intelectual e também como profissional, pelo apoio motivacional e pelo amigo que
sempre soube ser e que com certeza sem o seu apoio esse trabalho teria sido mais difı́cil, a
você Prof. o meu muitı́ssimo obrigado.
A todos os professores do Instituto de Matemática da UFAL que contribuiram para eu
me tornar o que sou. Vocês me ensinaram mais que Matemática, me ensinaram também a
ser uma pessoa que sabe cumprir com seus deveres e lutar pelos objetivos, muito obrigado a
todos.
Agora, não por ordem de importância, gostaria de agradecer a Jaaresias Silva do Nascimento, Esposa e Companheira, que teve paciência e compreensividade para aguentar os
desabafos e aborrecimentos, a te sou grato.
A todos os colegas da turma de mestrandos de 2010 que com os quais me divertia e
principalmente pelas discussões matemáticas que fazı́amos.
A Fundação de Amparo e Pesquisa do Estado de Alagoas, FAPEAL, por proporcionar as
condições financeiras para a conclusão do meu curso de mestrado.

Resumo
Nesse trabalho descrevemos um resultado obtido por Ernst Heintze que melhora o seguinte
resultado devido a Reilly: seja M uma variedade Riemanniana n-dimensional imersa isometricamente em RN , N ≥ n, e λ1 (M ) o primeiro autovalor do operador laplaciano de M ,
então
Z
n
H 2 dM.
λ1 (M ) ≤
volM M
E. Heintze, em 1988, generalizou o resultado acima. Ele provou que:
Se M está imersa isometricamente em M̄ , onde KM̄ ≤ δ, então:
n R
H 2 dM , para δ ≥ 0;
(i) λ1 (M ) ≤ nδ +
volM M
(ii) λ1 (M ) ≤ nδ + n max H 2 ,

para δ < 0.

Além disso, se vale a igualdade em (i), então M é imersa minimamente em alguma esfera
geodésica.

Palavras chave: Isometria. Imersão. Laplaciano. Primeiro Autovalor. Limitante Superior.

Abstract
In this work we describe a result obtained by Ernst Heintze which improves the following
results due to Reilly: let M be a compact n-dimensional Riemannian manifold and λ1 (M ) is
the first eingenvalue of laplacian. If M is isometrically immersed in RN , N ≥ n, then
Z
n
H 2 dM.
λ1 (M ) ≤
volM M
E. Heintze, in 1988, generalized the above result. He proved that:
If M is isometrically imersed in M̄ , where, KM̄ ≤ δ, then:
n R
(i) λ1 (M ) ≤ nδ +
H 2 dM , para δ ≥ 0;
volM M
(ii) λ1 (M ) ≤ nδ + n max H 2 ,

para δ < 0.

Furthermore, if the equality in (i), then M is minimally immersed into some geodesic sphere.

Keywords: Isometry. Immersion. Laplacian. First Eigenvalue. Upper Bound.

Sumário
Introdução
1 Resultados Fundamentais de Geometria Riemanniana
1.1 Métrica Riemanniana . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
1.2 Conexões . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
1.3 Geodésicas e variedades completas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
1.4 Curvaturas e campos de Jacobi . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
1.5 Coordenadas polares . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
1.6 A segunda forma fundamental . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

11
13
13
14
17
19
24
26

2 Divergente, Gradiente, Hessiana e Laplaciano em variedade Riemanniana 28
2.1 Gradiente e Divergente . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
28
2.2 Laplaciano e Hessiana . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
32
3 Limites Superiores Extrı́nsecos para λ1
3.1 Rayleigh e o método MinMax . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
3.2 Resultados principais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Referências Bibliográficas

44
44
48
69

Introdução
Esse trabalho tem como objetivo obter uma cota superior para o primeiro autovalor do
Laplaciano. Um autovalor é um número real λ tal que existe uma solução não trivial φ ∈
C 2 (M ) satisfazendo
∆φ + λφ = 0,
onde M é uma variedade fechada e conexa. No caso em que M é imersa isometricamente em
M̄ a estimativa é muito interessante, visto que a cota superior só depende essencialmente de
elementos extrı́nsecos a M , isto é, depende da forma como M é imersa em M̄ .
Os principais resultados desse trabalho foram obtidos por E. Heintze, tais resultados foram
parte do paper Extrinsic Upper Bounds for λ1 , publicado em 1988 no Math. Annalen.
O trabalho de Heintze é uma extensão do resulatado obtido por Reilly e publicado em 1977
intitulado On the first eigenvalue of the Laplacian for compact submanifolds of
Euclidean space, o qual afirma que: se M é uma variedade Riemanniana n-dimensional
compacta, conexa e imersa isometricamente em RN e λ1 (M ) é o primeiro autovalor do operador laplaciano de M , então
Z
n
H 2 dM.
λ1 (M ) ≤
volM M
Nas mesmas condições do Teorema de Reilly, trocando-se o RN por uma variedade Riemanniana completa M̄ com curvatura seccional KM̄ ≤ δ, Heintze obteve que:
n R
H 2 dM , para δ ≥ 0.
(Teorema 3.4)
(i) λ1 (M ) ≤ nδ +
M
volM
(ii) λ1 (M ) ≤ nδ + n max H 2 ,

para δ < 0;

(Teorema 3.8)

Além disso, se vale a igualdade em (i), então M é imersa minimamente em alguma esfera
geodésica.
Nas demonstrações dos Teoremas 3.4 e 3.8, uma das ferramentas que utilizaremos é
o Teorema de Rayleigh, Teorema 3.1, o qual afirma que, se f é uma
R função não nula
admissı́vel, isto é, f pertence ao espaço de Sobolev H 1 = W 1,2 (M ) com M f dM = 0, então
R
|grad f |2 dM
λ1 (M ) ≤ M R
.
f 2 dM
M
11

No Teorema de Rayleigh usaremos as funções

cδ (r) − c
sδ (r)
√
no caso δ > 0, onde
· xi e
r
δ

1 R
cδ (r)dM é constante, xi são as coordenadas normais de M̄ centrada em algum
volM M
ponto p0 ∈ M̄ e r = d(p0 , ·) é a distância a p0 .

c :=

Com o objetivo de deixar esse trabalho o mais completo possı́vel o organizamos em três
capı́tulos. No primeiro capı́tulo descrevemos os resultados fundamentais de Geometria Riemanniana, que são apresentados sem demonstração, pois podem ser facilmente encontrados
na literatura, e que imprescindivelmente nos auxilia no entendimento dos resultados tratados
nos capı́tulos seguintes. Ressaltamos que alguns conceitos básicos, como por exemplo, o conceito de espaço tangente e diferenciabilidade serão admitidos, o leitor pode consultar [5] ou
[11] para mais detalhes. No segundo capı́tulo definimos e obtemos as principais propriedades
do Gradiente, do Hessiano e do Laplaciano de uma função f : M → R, e do Divergente de
um campo de vetores em M . Apresentamos resultados como, por exemplo, o teorema de
comparação do hessiano da função distância.
Por fim, o último capı́tulo é dedicado as demonstrações dos Teoremas 3.4 e 3.8, para
os quais faremos alguns lemas que irá nos auxiliar nas demonstrações.

12

Capı́tulo 1
Resultados Fundamentais de
Geometria Riemanniana
Nesse capı́tulo apresentaremos os principais resultados de geometria Riemanniana que
utilizaremos no restante da dissertação. Nessa primeira seção definiremos os elementos que
utilizaremos e apresentamos alguns teoremas tais como o teorema de Hopf-Rinow, que nos
permite obter propriedades interessantes de variedades compactas.

1.1

Métrica Riemanniana

Iniciamos definindo o conceito de métrica Riemanniana, além disso escreveremos as métricas do espaço euclidiano Rn , da esfera Sn e do espaço hiperbólico real Hn em coordenadas
polares.
Definição 1.1 Uma métrica Riemanniana, ou estrutura Riemanniana, em uma variedade
diferenciável M é uma correspondência que associa a cada ponto p ∈ M um produto interno h , ip no espaço tangente Tp M que varia diferenciavelmente no seguinte sentido: Se
x : U ⊂ Rn → M é uma parametrização, ou sistema de coordenadas locais,
em torno
D
E de
∂
∂
∂
p, com x(x1 , . . . , xn ) = q ∈ x(U ) e ∂xi (q) = dx(0, . . . , 1, . . . , 0), então ∂xi (q), ∂xj (q) =
q

gij (x1 , . . . , xn ) é uma função diferenciável em U .
Ressaltamos que essa definição não depende da escolha do sistema de coordenadas.
Uma variedade diferenciável munida com uma métrica Riemanniana é chamada uma
variedade Riemanniana.
Definição 1.2 Sejam M e N variedades Riemannianas. Um difeomorfismo f : M → N é
chamado uma isometria se, para todo p ∈ M e u, v ∈ Tp M ,
hu, vip = hdfp (u), dfp (v)if (p) .

(1.1)

Se f satisfaz (1.1) numa vizinhança de p, para todo p ∈ M , dizemos que M e N são
localmente isométricas.
13

Exemplo 1 Se M = Rn , é o espaço euclidiano de dimensão n, identificando ∂x∂ i com ei =
(0, . . . , 1, . . . , 0). A métrica é dada por hei , ej i = δij .
Exemplo 2 Seja f : M → M̄ uma imersão, ou seja, f é diferenciável e dfp : Tp M → Tf (p) M̄
é injetiva para todo p ∈ M . Se M̄ é uma variedade Riemanniana, então f induz uma métrica
Riemanniana em M por
hu, vip = hdfp (u), dfp (v)if (p) ,

u, v ∈ Tp M.

A métrica assim obtida é chamada de métrica induzida por f , e assim f é uma imersão
isométrica.
Seja Sn = {x ∈ Rn+1 ; x21 + . . . + x2n+1 = 1} a esfera unitária de Rn+1 . A métrica induzida
por Rn+1 em Sn é chamada métrica canônica de S n .
Exemplo 3 O semi-espaço do Rn dado por
Hn = {(x1 , . . . , xn ) ∈ Rn ; xn > 0}
munido da métrica
gij (x1 , . . . , xn ) =

δij
x2n

é chamado de Espaço Hiperbólico.

1.2

Conexões

Um dos conceitos que ajuda a entender o comportamento das variedades Riemannianas
e nos auxilia no conhecimento de suas propriedades é o conceito de campos de vetores, que
tem a seguinte definição:
Definição 1.3 Um campo de vetores X em uma variedade diferenciável M é uma correspondência que associa a cada ponto p ∈ M um vetor X(p) ∈ Tp M . Como aplicação, X
é uma aplicação de M no fibrado tangente T M . O campo é diferenciável se a aplicação
X : M → T M é diferenciável.
Se x : U ⊂ Rn → M é um sistema de coordenadas, é possı́vel escrever o campo X como
n
X

∂
,
∂xi
i=1
n o
onde cada ai : U → R é uma função em U e ∂x∂ i é a base associada a x. Consequentemente o campo X é diferenciável se, e somente se, as funções ai são diferenciáveis para toda
parametrização.
X(p) =

ai (p)

Denotaremos por X (M ) o conjunto dos campos de vetores de classe C ∞ em M e por
D(M ) o anel das funções reais de classe C ∞ definidas em M .
14

Definição 1.4 Uma conexão afim ∇ em uma variedade diferenciável M é uma aplicação
∇ : X (M ) × X (M ) → X (M ),
que satisfaz para todos X, Y, Z ∈ X (M ) e todas f, g ∈ D(M ) as seguintes propriedades:
i) ∇(f X+gY ) Z = f ∇X Z + g∇Y Z.
ii) ∇X (Y + Z) = ∇X Y + ∇X Z.
iii) ∇X (f Y ) = f ∇X Y + X(f )Y .
Proposição 1.1 Seja M uma variedade diferenciável com uma conexão afim ∇. Então
existe uma única correspondência que associa a um campo vetorial V ao longo da curva
ao longo de c, denominado derivada
diferenciável c : I → M um outro campo vetorial DV
dt
covariante de V , tal que
D
(V + W ) = DV
+ DW
.
i) dt
dt
dt
D
ii) dt
(f V ) = df
V + f DV
,
dt
dt

onde W é um campo de vetores ao longo de c e f é uma função diferenciável em I.
iii) Se V é induzido por um campo de vetores Y ∈ X (M ), isto é, V (t) = Y (c(t)), então
DV
= ∇dc/dt Y .
dt
Demonstração. Ver [5], página 57.
Definição 1.5 Seja M uma variedade diferenciável com uma conexão afim ∇. Um campo
= 0, para
de vetores X ao longo de uma curva c : I → M é chamado paralelo quando DX
dt
todo t ∈ I.
Definição 1.6 Seja M uma variedade diferenciável com uma conexão afim ∇ e uma métrica
Riemanniana h , i. Dizemos que a conexão é compatı́vel com a métrica h , i, quando para toda
curva diferenciável c e quaisquer campos de vetores paralelos P e P 0 ao longo de c, tivermos
hP, P 0 i =const.. A conexão é dita simétrica quando
∇X Y − ∇Y X = [X, Y ],
para todo X, Y ∈ X (M ) e [X, Y ] := XY − Y X é o colchete de Lie.
Proposição 1.2 Uma conexão ∇ em uma variedade Riemanniana M é compatı́vel com
métrica se, e somente se, para quaisquer campos de vetores V e W ao longo de uma curva
diferenciável c : I → M tem-se

 

d
DV
DW
hV, W i =
, W + V,
, t ∈ I.
(1.2)
dt
dt
dt
15

Demonstração. Ver [5], página 59.
Corolário 1.3 Uma conexão ∇ em uma variedade Riemanniana M é compatı́vel com a
métrica se, e somente se,
XhY, Zi = h∇X Y, Zi + hY, ∇X Zi,
para quaisquer X, Y, Z ∈ X (M ). Em particular se hY, Zi = 0, então
h∇X Y, Zi = −hY, ∇X Zi.

(1.3)

Demonstração. Ver [5], página 60.
Teorema 1.4 (Levi-Civita) Seja M uma variedade Riemanniana, então existe uma única
conexão afim ∇ em M que satisfaz:
a) ∇ é simétrica.
b) ∇ é compatı́vel com a métrica Riemanniana.
Demonstração. Ver [5], página 61.
A conexão dada pelo teorema acima é também conhecida como conexão Riemanniana.
Em um sistema de coordenadas (x, U ), as funções Γkij definidas em U por
∇Xi Xj =

n
X

Γkij Xk ,

k=1

onde Xi = ∂x∂ i , são chamadas os coeficientes da conexão ∇ em U ou sı́mbolos de Christoffel.
Um simples cálculo nos mostra que
1
Γlij =

n 
X
∂

2 k=1


∂
∂
gjk +
gki −
gij g kl ,
∂xi
∂xj
∂xk

(1.4)

onde (g kl ) é a inversa da matriz (gkl ), e usando a simetria da conexão, obtém-se que Γlij = Γlji .
Se M = Rn munido com a métrica hei , ej i = δij temos Γlij = 0 para quaisquer i, j, l =
1, . . . , n. Portanto
∇ei ej = Γlij el = 0.
(1.5)

16

1.3

Geodésicas e variedades completas

Agora definiremos o conceito de geodésica que dentre suas aplicações nos permite obter informações topológicas da variedade como mostra o Teorema de Ropf-Rinow. Sua importância
também é caracterizada pela propriedade de localmente minimizar distância entre dois pontos
da variedade.

D dγ
=
Definição 1.7 Uma curva parametrizada γ : I → M é uma geodésica em t0 ∈ I se dt
dt
0 no ponto t0 . Se γ é geodésica em todo t ∈ I, dizemos que γ é uma geodésica.
Se γ : I → M é uma geodésica, então por (1.2)




d dγ dγ
D dγ dγ
,
=2
,
= 0,
dt dt dt
dt dt dt
ou seja, o comprimento do vetor tangente é constante.
Proposição 1.5 Dado p ∈ M , existem uma vizinhança V de p em M , um número ε > 0 e
uma aplicação C ∞ , γ : (−2, 2) × U → M , U = {(q, w) ∈ T M ; q ∈ V, w ∈ Tp M, |w| < ε} tal
que t → γ(t, q, w) , t ∈ (−2, 2), é a única geodésica de M que no instante t = 0 passa por q
com velocidade w, para cada q ∈ V e cada w ∈ Tp M , com |w| < ε.
Demonstração. Ver [5], página 72.
Sejam p ∈ M e U ⊂ T M o aberto dado pela proposição acima. A aplicação exp : U → M
dada por


v
,
exp(q, v) = γ(1, q, v) = γ |v|, q,
|v|
está bem definida e é chamada aplicação exponencial em U . É fácil observar que exp é
diferenciável.
Por simplicidade, utilizaremos a restrição da exp a um aberto do Tq M , como
expq : Bε (0) ⊂ Tq M → M,
onde expq (v) = exp(q, v) e Bε (0) é a bola aberta centrada na origem do Tq M e raio ε. Além
disso, prova-se que existe um ε > 0 tal que expq : Bε (0) ⊂ Tq M → M é um difeomorfismo
sobre um aberto de M .
Como consequência temos que a aplicação exponencial satisfaz o seguinte resultado:
Lema 1.1 (Gauss) Sejam p ∈ M e v ∈ Tp M tal que expp v esteja definida. Seja w ∈
Tp M ≈ Tv (Tp M ). Então
hd(expp )v (v), d(expp )v (w)i = hv, wi.
Demonstração. Ver [5], página 77.

17

Definição 1.8 Se expp é um difeomorfismo em uma vizinhança V da origem do Tp M ,
expp V = U é chamada de vizinhança normal de p. Se Bε (0) é tal que Bε (0) ⊂ V , chamamos
expp Bε (0) = Bε (p) de bola normal, ou geodésica, de centro p e raio ε. Pelo Lema de Gauss, a
fronteira de uma bola normal é uma hipersuperfı́cie em M ortogonal as geodésicas que partem
de p, ela é chamada de esfera normal, ou geodésica, e será denotada por Sε (p).
Definição 1.9 Sejam p, q ∈ M , a distância d(p, q) é o ı́nfimo dos comprimentos de todas as
curvas cp,q , onde c é uma curva diferenciável por partes ligando p a q.
Agora veremos que localmente as geodésicas minimizam distância.
Proposição 1.6 Sejam p ∈ M , U uma vizinhança normal de p, e B ⊂ U uma bola normal
de centro p. Seja γ : [0, 1] → B um segmento de geodésica com γ(0) = p. Se c : [0, 1] → M é
qualquer curva diferenciável por partes ligando γ(0) a γ(1), então l(γ) ≤ l(c) e se a igualdade
vale então γ([0, 1]) = c([0, 1]).
Demonstração. Ver [5], página 79.
Agora trataremos de alguns conceitos globais ligados as variedades Riemannianas. Inicialmente definiremos a noção de completude de uma variedade, e também enunciaremos o
teorema de Hopf-Rinow que tem como consequência imediata que toda variedade compacta
é completa.
Definição 1.10 Uma variedade Riemanniana M é dita completa, ou geodesicamente completa, se para todo p ∈ M , a aplicação exponencial está definida para todo v ∈ Tp M , equivalentemente as geodésicas γ(t) que partem de p estão definidas para todo t ∈ R.
Teorema 1.7 (Hopf-Rinow) Seja M uma variedade Riemanniana e seja p ∈ M . As
seguintes afirmações são equivalentes
a) expp está definida em todo o Tp M .
b) Os limitados e fechados de M são compactos.
c) M é completa como espaço métrico.
d) M é geodesicamente completa.
Além disso, cada uma das afirmações acima implica que
e) Para todo q ∈ M existe uma geodésica γ ligando p a q com l(γ) = d(p, q).
Demonstração. Ver [5], página 163.
Corolário 1.8 Se M é compacta, então M é completa.
18

Demonstração. Como todo espaço métrico compacto é completo, a conclusão segue da parte
(c) do teorema.
O próximo resultado, devido a Nash, nos dá uma importante caracterização das variedades
Riemannianas completas, mais precisamente:
Teorema 1.9 (Nash) Se M n é uma variedade Riemanniana completa, então ela pode ser
imersa isometricamente em RN , para algum N ≥ n.
Demonstração. Ver [8].
Sejam M uma variedade Riemanniana completa e p ∈ M . Considere γ : [0, ∞) → M
uma geodésica normalizada (isto é, |γ 0 (t)|=1) com γ(0) = p. sabemos que para t > 0
suficientemente pequeno,
d(γ(0), γ(t)) = t,
isto é, γ([0, t]) é uma geodésica minimizante. Além disso, é fácil ver que, se γ([0, t1 ]) não é
minimizante, então o mesmo acontece para t > t1 . Por continuidade, o conjunto dos números
t > 0 para os quais d(γ(0), γ(t)) = t é da forma [0, t0 ] ou [0, ∞). No primeiro caso, γ(t0 ) é
chamado o ponto mı́nimo de p ao longo de γ; no último caso diz-se que o ponto mı́nimo não
existe.
Definimos o lugar dos pontos mı́nimos de p, “cut locus”de p, denotado por Cut(p), como
sendo o conjunto de todos os pontos mı́nimos de p ao longo de todas as geodésicas que partem
de p.

1.4

Curvaturas e campos de Jacobi

Sem dúvida a curvatura é um dos conceitos mais presentes em geometria Riemanniana, e
entre suas diversas aplicações ela mede intuitivamente o quanto uma variedade Riemanniana
deixa de ser euclidiana.
Definição 1.11 A curvatura R de uma variedade Riemanniana M é uma correspondência
que associa a cada par X, Y ∈ X (M ) uma aplicação R(X, Y ) : X (M ) → X (M ) dada por
R(X, Y )Z = ∇Y ∇X Z − ∇X ∇Y Z + ∇[X,Y ] Z,
onde Z ∈ X (M ) e ∇ é a conexão Riemanniana de M .
Definição 1.12 Dados um ponto p ∈ M e um subespaço bidimensional σ ⊂ Tp M , o número
real
(x, y, x, y)
,
K(x, y) =
|x ∧ y|2
é chamado curvatura seccional de M no ponto p com respeito a σ, onde x, y é uma base de
σ, (x, y, x, y) = hR(x, y)x, yi e |x ∧ y|2 = |x|2 |y|2 − hx, yi2 .
19

Proposição 1.10 O número
K(x, y) =

(x, y, x, y)
|x ∧ y|2

não depende da escolha dos vetores x, y ∈ σ.
Demonstração. Ver [5], página 105.
Lema 1.2 A curvatura seccional de Rn é identicamente nula.
Demonstração. Pela definição de curvatura seccional é suficiente mostrarmos que, para
quaisquer X, Y, Z ∈ X (Rn ) tem-se que R(X, Y )Z ≡ 0.
n
n
n
X
X
X
Se Z =
zi ei , X =
xi e i , Y =
yi ei , onde e1 , . . . , en é a base canônica de Rn ,
i=1

i=1

i=1

então
∇X Z = ∇X

n
X

zi ei =

i=1

=
=

n
X

zi ∇X ei +

i=1
n
X

n
X

X(zi )ei

i=1

zi xj ∇ej ei +

n
X

X(zi )ei

i=1

i,j=1
n
X

X(zi )ei ,

i=1

onde a última igualdade é devida a (1.5). Analogamente,
∇Y ∇X Z =

n
X

Y (X(zi ))ei ,

i=1

e
∇[X,Y ] Z =

n
X

[X, Y ](zi )ei

i=1

portanto
R(X, Y )Z = ∇Y ∇X Z − ∇X ∇Y Z + ∇[X,Y ] Z
n
n
n
X
X
X
=
Y (X(zi ))ei −
X(Y (zi ))ei +
[X, Y ](zi )ei
i=1

=−

n
X

i=1

[X, Y ](zi )ei +

i=1

n
X
i=1

20

i=1

[X, Y ](zi )ei = 0.

Lema 1.3 Sejam M uma variedade Riemanniana e p ∈ M . Defina uma aplicação trilinear
e : Tp M × Tp M × Tp M → Tp M por
R
e
hR(X,
Y, Z)W, Zi = hX, W ihY, Zi − hY, W ihX, Zi,
para todo X, Y, Z, W ∈ Tp M . Então M tem curvatura seccional constante igual a K0 se, e
e onde R é a curvatura de M .
somente se R = K0 R,
Demonstração. Ver [5], página 107.
Uma Variedade Riemanniana completa M de curvatura seccional constante é chamada
de forma espacial.
Definição 1.13 Seja γ : [0, a] → M uma geodésica de M . Um campo de vetores J ao longo
de γ é um campo de Jacobi se satisfaz a equação de Jacobi
D2 J
+ R(γ 0 (t), J(t))γ 0 (t) = 0,
2
dt

∀ t ∈ [0, a].

Os exemplos triviais de campos de Jacobi ao longo de γ(t) são γ 0 (t) e tγ 0 (t).
Agora veremos algumas das propriedades dos campos de Jacobi, dentre as quais, um
campo de Jacobi nos permite saber onde a aplicação expp deixa de ser um difeomorfismo
local.
Exemplo 4 Sejam M uma variedade Riemanniana de curvatura seccional constante K,
γ : [0, a] → M uma geodésica normalizada em M e J um campo de Jacobi ao longo de γ,
normal a γ 0 . Então
R(γ 0 , J)γ 0 = KJ.
De fato, pelo Lema 1.3, para todo campo de vetores T ao longo de γ tem-se
hR(γ 0 , J)γ 0 , T i = K(hγ 0 , γ 0 ihJ, T i − hγ 0 , T ihJ, γ 0 i)
= KhJ, T i.
Assim a equação de Jacobi tem a forma
D2 J
+ KJ = 0,
(1.6)
dt
e é fácil ver que, se w(t) é um campo paralelo ao longo de γ com hγ 0 , w(t)i = 0 e |w(t)| = 1

√

sen(t
K)


√
w(t),
se K > 0,



K
J(t) = t w(t),
se K = 0,
√



senh(t −K)


√
w(t), se K < 0,

−K
é solução de (1.6) com condições iniciais J(0) = 0 e J 0 (0) = w(0).
21

Lema 1.4 Seja γ : [0, a] → M uma geodésica. Então um campo de Jacobi J ao longo de γ
com J(0) = 0 é dado por
J(t) = d(expp )tγ 0 (0) (tJ 0 (0)),

t ∈ [0, a].

Demonstração. Ver [5], página 126.
Com a definição seguinte teremos outras relações entre os campos de Jacobi e a aplicação
exponencial, mais precisamente, como encontrar as singularidades da aplicação exponencial:
Definição 1.14 Seja γ : [0, a] → M uma geodésica. dizemos que o ponto γ(t0 ) é conjugado
de γ(0) ao longo de γ, t0 ∈ (0, a], se existe um campo de Jacobi J ao longo de γ, não
identicamente nulo, com J(0) = 0 = J(t0 ). O número máximo de tais campos linearmente
independentes é a multiplicidade do ponto conjugado γ(t0 ).
Proposição 1.11 Suponha que γ(t0 ) é o ponto mı́nimo de p = γ(0) ao longo da geodésica
γ : [0, a] → M . Então:
a) ou γ(t0 ) é o primeiro ponto conjugado de p ao longo de γ,
b) ou existe uma geodésica γ̄ 6= γ que liga p a γ(t0 ) com l(γ̄) = l(γ).
E a recı́proca é também verdadeira.
Demonstração. Ver [5], página 267.
Corolário 1.12 Seja M uma variedade Riemanniana completa. Se p ∈ M e q ∈ M \Cut(p),
então existe uma única geodésica minimizante ligando p a q, e q não é conjugado a p ao longo
da mesma.
Demonstração. Seja γ : [0, a] → M uma geodésica minimizante tal que γ(0) = p e γ(a) = q.
Suponhamos que p se liga q por duas geodésicas minimizantes ou que q é conjugado de p ao
longo de γ. Pela recı́proca da Proposição 1.11, existe t0 ∈ (0, a] tal que γ(t0 ) é o ponto
mı́nimo de p ao longo de γ. Como q ∈
/ Cut(p), devemos ter que t0 < a, mas assim γ não é minimizante em (0, a].
Teorema 1.13 (Rauch) Sejam γ : [0, a] → M n e γ̄ : [0, a] → M̄ n+k , k ≥ 0, geodésicas com
a mesma velocidade, e sejam J e J¯ campos de Jacobi ao longo de γ e γ̄, respectivamente,
satisfazendo
i) γ̄(t) não é conjugado a γ̄(0), ∀ 0 < t ≤ a;
¯ = 0,
ii) J(0) = J(0)

hJ 0 (0), γ 0 (0)i = J¯0 (0), γ̄ 0 (0) , |J 0 (0)| = J¯0 (0) ;

iii) KM̄ (x̄, γ̄ 0 (t)) ≥ KM (x, γ 0 (t)),
onde K(x, y) é a curvatura seccional segundo o plano gerado por x, y. Então
22

¯ 0 ) = |J(t0 )|, então
a) J¯ ≤ |J|, além disso, se para algum t0 ∈ (0, a], tem-se J(t
KM̄ (x̄, γ̄ 0 (t)) = KM (x, γ 0 (t)),
para todo t ∈ [0, a].
|J|2
¯ para todo t ∈ (0, a].
b) hJ 0 , Ji ≥ ¯ 2 hJ¯0 , Ji
|J|
Demonstração. Faremos a demonstração apenas do item (b), uma demonstração do item
(a) é encontrada em [5], página 238.
Para mostrarmos o item (b), observamos primeiro que, como γ̄(t) não é conjugado a γ̄(0)
¯ 6= 0 em (0, a]. Defina f (t) = |J(t)|2 e f¯(t) = |J(t)|
¯ 2 em (0, a],
ao longo de γ̄, temos que J(t)
¯
assim f 0 (t) = 2hJ 0 (t), J(t)i e f¯0 (t) = 2hJ¯0 (t), J(t)i,
agora basta mostrarmos que
f¯0 (t0 )
f 0 (t0 )
≥ ¯
.
f (t0 )
f (t0 )
Por (2.7)
hJ 0 , Ji(t0 )
f 0 (t0 )
=
= It0
2f (t0 )
|J(t0 )|2



J
J
,
|J(t0 )| |J(t0 )|


= It0 (J1 , J1 )

(1.7)

e
 ¯

¯ 0)
J¯
hJ¯0 , Ji(t
J
f¯0 (t0 )
¯ ¯
= It0
= ¯
(1.8)
¯ 0 )| , |J(t
¯ 0 )| = It0 (J1 , J1 ),
|J(t0 )|2
|J(t
2f¯(t0 )
J¯
J
e J¯1 = ¯
. Escolha campos ortogonais e paralelos e1 , . . . , en ao longo de
onde J1 =
|J(t0 )|
|J(t0 )|
γ|[0,t0 ] e ē1 , . . . , ēn+k ao longo de γ̄|[0,t0 ] , com e1 = γ 0 , e2 (t0 ) = J1 (t0 ) e ē1 = γ̄ 0 , ē2 (t0 ) = J¯1 (t0 ).
Para V = βi (t)ei (t) campo diferenciável por partes ao longo de γ, defina
φ(V ) = βi (t)ēi (t)
campo diferenciável ao longo de γ̄. Então φ(J1 ) = 0 = J¯1 (0) e
J1 (t0 ) = e2 (t0 ) ⇒ φ(J1 )(t0 ) = ē2 (t0 ) = J¯1 (t0 ),
assim, pelo Lema do Índice (Teorema 2.5),
It0 (φ(J1 ), φ(J1 )) ≥ It0 (J¯1 , J¯1 ).
Mas para todos os campos V, W diferenciáveis por partes ao longo de γ, tem-se
hφ(V ), φ(W )i = hV, W i e φ(V )0 = φ(V 0 ),
23

(1.9)

donde
Z t0
It0 (J1 , J1 ) =
Z0 t0
≥

[hJ10 , J10 i − |γ 0 ∧ J1 |2 KM (J1 , γ 0 )]dt
[hφ(J1 )0 , φ(J1 )0 i − |γ̄ 0 ∧ φ(J1 )|2 KM̄ (φ(J1 ), γ̄ 0 )]dt]

0

= It0 (φ(J1 ), φ(J1 )).

(1.10)

Segue de (1.7), (1.8), (1.9) e (1.10) que
f 0 (t0 )
f¯0 (t0 )
¯
¯
= It0 (J1 , J1 ) ≥ It0 (φ(J1 ), φ(J1 )) ≥ It0 (J1 , J1 ) = ¯ ,
2f (t0 )
2f (t0 )
isto é,

f¯0 (t0 )
f 0 (t0 )
≥ ¯
f (t0 )
f (t0 )

ou

|J|2 ¯0 ¯
hJ , Ji ≥ ¯ 2 hJ , Ji.
|J|
0

Observação 1.14 A igualdade vale se, e somente se, KM̄ (x̄, γ̄ 0 (t)) = KM (x, γ 0 (t)) e vale a
igualdade em (1.9).

1.5

Coordenadas polares

Nessa seção escreveremos as métricas do Rn , de Sn−1 e do Hn em coordenadas polares as
quais precisaremos futuramente.
Com esse objetivo, sejam
x : U ⊂ Rn−1 → S n−1
(u1 , . . . , un−1 ) → x(u1 , . . . , un−1 )
parametrização e
γ(r, u1 , . . . , un−1 ) := expp (rx(u1 , . . . , un−1 )),
então
γr = d(expp )q (x(u1 , . . . , un−1 ))


∂x
γui = d(expp )q r
∂ui
24

logo
hγr , γr i = d(expp )q (x(u1 , . . . , un−1 )), d(expp )q (x(u1 , . . . , un−1 ))
= hx(u1 , . . . , un−1 ), x(u1 , . . . , un−1 )i = 1.



∂x
hγr , γui i = d(expp )q (x(u1 , . . . , un−1 )), d(expp )q r
∂ui


∂x
= x(u1 , . . . , un−1 ), r
= 0.
∂ui

(1.11)

(1.12)

onde q = rx(u1 , . . . , un−1 ) e as igualdades (1.11) e (1.12) são devidas ao Lema de Gauss.
Finalmente,





∂x
∂x
γui , γuj = d(expp )q r
, d(expp )q r
,
(1.13)
∂ui
∂uj


∂x
Observe que, para cada i fixado, Ji (r) = d(expp )q r ∂u
é um campo de Jacobi dado pelo
i
Lema 1.4, e pelo exemplo 4


em Rn .
r w(r),
J(r) = sen(r)w(r),
em Sn−1 .


senh(r)w(r), em Hn .
Portanto, para o Rn
γui , γuj = hr wi (r), r wj (r)i
= r2 hwi (r), wj (r)i = r2 δij .
donde
2

ds :=

n
X

gij dui duj = dr2 + r2 dω 2 ,

i,j=1

onde dω 2 é a métrica canônica de S n−1 .
Para a esfera Sn−1
γui , γuj = hsen(r) wi (r), sen(r) wj (r)i
= sen2 (r)hwi (r), wj (r)i = sen2 (r) δij ,
donde
ds2 = dr2 + sen2 (r) dω 2 .

25

Para Hn
γui , γuj = hsenh(r) wi (r), senh(r) wj (r)i
= senh2 (r)hwi (r), wj (r)i = senh2 (r) δij ,
donde
ds2 = dr2 + senh2 (r) dω 2 .

1.6

A segunda forma fundamental

Sejam M n e M̄ n+k , k ≥ 0, variedades Riemanniana e f : M → M̄ uma imersão isométrica,
então para cada p ∈ M o produto interno em Tp M̄ decompõe Tp M̄ na soma direta
Tp M̄ = df (Tp M ) ⊕ (df (Tp M ))⊥ ,
Por simplicidade de notação identificamos df (Tp M ) com Tp M onde (Tp M )⊥ é o complemento
ortogonal de Tp M em Tp M̄ e p é identificado com f (p).
¯ e se X e Y são campos locais de
Denotaremos a conexão Riemanniana de M̄ por ∇,
vetores em M , e X̄, Ȳ são extensões locais em M̄ , de df (X) e df (Y ), definimos
¯ X̄ Ȳ )T ,
∇X Y := (∇
¯ X̄ Ȳ )T denota a componente tangencial de ∇
¯ X̄ Ȳ .
onde (∇
Proposição 1.15 Seja f : M n → M̄ n+k uma imersão isométrica. Então para X, Y ∈ X (M )
¯ X̄ Ȳ )T
∇X Y = (∇
é a conexão Riemanniana de M .
¯ X̄ Ȳ )T é uma conexão em M , sejam X, Y, Z ∈
Demonstração. Para mostrarmos que (∇
X (M ), g, h ∈ D(M ) e X̄, Ȳ , Z̄ ∈ X (M̄ ), ḡ, h̄ ∈ D(M̄ ) suas extensões em M̄ , respectivamente.
Então,
¯ (ḡX̄+h̄Ȳ ) Z̄)T
∇(gX+hY ) Z = (∇
¯ X̄ Z̄ + h̄∇
¯ Ȳ Z̄)T
= (ḡ ∇
¯ Ȳ Z̄)T
¯ X̄ Z̄)T + (h̄∇
= (ḡ ∇
= g∇X Z + h∇Y Z

¯ X̄ (Ȳ + Z̄))T
∇X (Y + Z) = (∇
¯ X̄ Ȳ + ∇
¯ Ȳ (Z̄)T
= (∇
¯ X̄ Ȳ )T + (∇
¯ Ȳ (Z̄)T
= (∇
= ∇X Y + ∇X Z
26

¯ X̄ (ḡ Ȳ ))T
∇X (gY ) = (∇
¯ X̄ Ȳ + X̄(ḡ)Ȳ )T
= (ḡ ∇
¯ X̄ Ȳ )T + (X̄(ḡ)Ȳ )T
= (ḡ ∇
= g∇X Y + X(g)Y
Agora mostraremos a simetria e a compatibilidade com a métrica de M , induzida por f .
Com efeito,
∇X Y − ∇Y X = (∇X̄ Ȳ − ∇Ȳ X̄)T = [X̄, Ȳ ]T = [X, Y ],
onde a última igualdade é devida a (Proposição 13.4 de [9]). Para a compatibilidade, temos
XhY, Zi = X̄hȲ , Z̄i
¯ X̄ Ȳ , Z̄i + hȲ , ∇
¯ X̄ Z̄i
= h∇
¯ X̄ Ȳ )T + (∇
¯ X̄ Ȳ )⊥ , Zi + hY, (∇
¯ X̄ Z̄)T + (∇
¯ X̄ Z̄)⊥ i,
= h(∇
¯ X̄ Z̄)⊥ i = 0, temos
¯ X̄ Ȳ )⊥ , Zi = hY, (∇
como h(∇
¯ X̄ Ȳ )T , Zi + hY, (∇
¯ X̄ Z̄)T i
XhY, Zi = h(∇
= h∇X Y, Zi + hY, ∇X Zi.
¯ X̄ Ȳ )T é compatı́vel com a métrica de M .
Portanto, pelo Corolário 1.3 (∇
Definição 1.15 Sejam f : M → M̄ uma imersão e X, Y campos locais definidos em U ⊂ M .
A aplicação α : X (U ) × X (U ) → X (U )⊥ dada por
¯ X̄ Ȳ − ∇X Y,
α(X, Y ) = ∇
é chamada a segunda forma fundamental da imersão f , onde X (U )⊥ é o conjunto dos campos
diferenciáveis em U normais a f (U ), que o identificamos com U .
¯ X̄ Ȳ − ∇X Y é bilinear e simétrica.
Proposição 1.16 A aplicação α(X, Y ) = ∇
Demonstração. Ver [5], página 140.
→
−
Definição 1.16 O traço da segunda forma fundamental, tr α =: H , é chamado de vetor
−
1 →
curvatura média e H := | H | é chamada de curvatura média de M , onde n é a dimensão
n
de M . Quando H ≡ 0 diz-se que a imersão f : M → M̄ é mı́nima.
O seguinte resultado, devido a Gauss, relaciona as geometrias intrı́nseca e extrı́nseca:
Teorema 1.17 (Gauss) Sejam p ∈ M e x, y vetores ortonormais de Tp M . Então
KM (x, y) − KM̄ (x, y) = hα(x, x), α(y, y)i − |α(x, y)|2
Demonstração. Ver [5], página 143.
27

Capı́tulo 2
Divergente, Gradiente, Hessiana e
Laplaciano em variedade Riemanniana
Nesse capı́tulo trabalharemos com o gradiente, o laplaciano e o hessiano de funções
definidas em variedade e com o divergente de campos de vetores em variedades, onde discutiremos alguns resultados relevantes, os quais serão utilizados nessa dissertação.

2.1

Gradiente e Divergente

Sejam M uma variedade Riemanniana e p ∈ M . Considere uma função f de classe C 1
definida numa vizinhança de p e ξ ∈ Tp M . Definimos a derivada direcional de f em p na
direção de ξ, denotada por ξ(f ), por
ξ(f ) = (f ◦ ω)0 (0),
onde ω(t) é um caminho em M satisfazendo ω(0) = p e ω 0 (0) = ξ. A aplicação de Tp M → R
dada por ξ → ξ(f ) é linear. Além disso, para funções f, h ∈ C 1 temos
ξ(f + h) = ξ(f ) + ξ(h);
ξ(f h) = ξ(h)f + f ξ(h).

Definição 2.1 Dada uma função f ∈ C k , k ≥ 1 sobre M , o gradiente de f , denotado por
gradf , é um campo de vetores sobre M definido pela seguinte relação
hgradf, ξi = ξ(f ),
para todo ξ ∈ T M .
Para funções f, h ∈ C 1 temos
grad (f + h) = grad f + grad h;
grad (f h) = h grad f + f grad h.
28

Proposição 2.1 Seja f : M → R uma função suave. Dados p ∈ M e ξ ∈ Tp M , seja
ω : (−ε, ε) → M um caminho em M tal que ω(0) = p e ω 0 (0) = ξ. Então
hgrad f, ξi =

d
(f ◦ ω)(t)
.
dt
t=0

Além disso, se p é ponto de máximo ou de mı́nimo local para f , então grad f (p) = 0.
Demonstração. A afirmação
hgrad f, ξi =

d
(f ◦ ω)(t)
,
dt
t=0

é a definição de derivada direcional.
Para a segunda parte, suponha que p é ponto de máximo ou de mı́nimo para f . Então
existe uma vizinhança U ⊂ M de p tal que f (p) ≥ (f (q)) para todo q ∈ U . Seja ξ ∈ Tp M e
ω : (−ε, ε) → U tal que ω(0) = p e ω 0 (0) = ξ, então f ◦ ω tem um máximo ou um mı́nimo
em 0. Portanto
d
hgrad f, ξi = (f ◦ ω)(t)
= 0.
dt
t=0
Como ξ ∈ Tp M é arbitrário, temos que grad f (p) = 0.
Proposição 2.2 Seja Ep = {v ∈ Tp M ; expp (tv) ∈ M \Cut(p), ∀ 0 ≤ t ≤ 1}, então expp :
Ep → M \Cut(p) é um difeomorfismo.
Demonstração. Obviamente expp (Ep ) = M \Cut(p). Seja q ∈ M \Cut(p), então pelo
corolário 1.12 existe uma única geodésica minimizante γ(t) = expp (tv) normalizada ligando
p = γ(0) a q = γ(1) e q não é conjugado a p ao longo de γ. Portanto v ∈ Tp M não é
ponto crı́tico da expp e, portanto é um difeomorfismo local sobre M \Cut(p). Agora, basta
mostrarmos que expp é injetiva. Suponha que existam v, w ∈ Ep , tais que γ(t) = expp (tv)
e γ̄(t) = expp (tw) ligam p a q = γ(1) = γ̄(1). Como q ∈
/ Cut(p) segue que ao menos
uma dentre γ̄ e γ, digamos γ, não é minimizante até q. Assim, existe 0 < t0 < 1 tal que
γ(t0 ) = expp (t0 v) ∈ Cut(p), contradizendo o fato de v pertencer a Ep .
Teorema 2.3 Seja γ : [0, a] → M \ Cut (p) uma geodésica normalizada partindo de p. Então
grad r(γ(t)) = γ 0 (t), ∀ 0 < t ⩽ a,
onde r(q) = d(p, q) é a função distância a partir de p. Além disso, |grad r| = 1.
Demonstração. Primeiro observamos que, se r : M \Cut(p) → R+ é a função distância a
partir de p, então a função r ◦ expp : Ep → R+ é dada por
(r ◦ expp )(v) = d(p, expp (v)) = |v|,
29

é diferenciável em Ep \ 0.
Agora seja γ(t) = expp (tv), 0 ≤ t ≤ a e q = γ(t0 ). Se w ∈ Tp M , com w ⊥ γ 0 (t0 ) =
d(expp )t0 v (v), pela Proposição 2.2 expp é um difeomorfismo e, portanto d(expp )t0 v é isomorfismo, assim existe um W ∈ Tv (Tp M ) tal que d(expp )t0 v (W ) = w e pelo Lema de Gauss
0 = hγ 0 (t0 ), wi = hd(expp )t0 v (v), d(expp )t0 v (W )i = hv, W i.
Consideremos α : (−ε, ε) → Ep tal que |α(s)| = t0 , α(0) = t0 v e α0 (0) = W . Então pela
unicidade da geodésica minimizante que liga expp (α(s)) a p tem-se que
r(expp (α(s)) = t0 ,
e daı́ temos
0 = hgrad r(q), d(expp )t0 v W i = hgrad r(q), wi.
Como a igualdade acima vale para todo w ⊥ γ 0 (t0 ), segue que grad r(q) é um múltiplo de
γ 0 (t0 ). Por outro lado r(γ(t)) = t para 0 ≤ t ≤ a, temos
hgrad r(γ(t)), γ 0 i = 1,

∀ 0 < t ≤ a,

e daı́ grad r(γ(t)) = γ 0 (t) para 0 < t ≤ a. Além disso, sendo γ normalizada temos
|grad r| = |γ 0 | = 1.
Agora escreveremos o gradiente em função da métrica de M . Assim, se x : U ⊂ Rn → M
é uma carta, a ela estão associados n campos de vetores coordenados, que denotaremos por
∂j , j = 1, . . . , n, que formam uma base do Tp M . Assim, se ξ ∈ Tp M podemos escrever
ξ=

n
X

aj ∂ j ,

j=1

e portanto
ξ(f ) =

n
X

aj ∂j (f ),

j=1

onde ∂j (f ) é a derivada direcional de f na direção de ∂j .
Dada uma métrica Riemanniana, sejam
gjk = h∂j , ∂k i,

G = (gjk ),
−1

g = det G,

G

30

= (g jk ),

(2.1)

onde j, k = 1, . . . , n. Então
hgradf, ξi = ξ(f ) =

n
X

aj ∂j (f ) =

j=1

=

n
X

aj gjk g kl ∂l (f )

j,k,l=1
n
X

aj h∂j , ∂k ig kl ∂l (f )

j,k,l=1

=

* n
X

aj ∂j ,

j=1

*
=

ξ,

n
X

n
X

+
(g kl ∂l (f ))∂k

k,l=1

+
(g kl ∂l (f ))∂k

.

k,l=1

Portanto,

grad f =

n
X

g kl ∂l (f )∂k .

(2.2)

k,l=1

Se a base ∂j , j = 1, . . . , n, de Tp M for ortonormal o grad f pode também ser expresso por
grad f =

n
X

∂k (f )∂k .

(2.3)

i=1

Com efeito, g kl = δkl em (2.2).
Definição 2.2 Dado o campo de vetores X ∈ C k , k ≥ 1, sobre M , a divergência de X
denotada por divX, é a função definida por
(divX)(p) := traço (Y → ∇Y X(p)),
onde ∇ é a conexão Riemanniana de M .
Para f ∈ C k , k ≥ 1, e campos de vetores X, Y ∈ C k , k ≥ 1, temos
div(X + Y ) = divX + divY ;
div(f X) = f divX + hgrad f, Xi.

(2.4)

Lema 2.1 Sejam M uma variedade Riemanniana imersa em M̄ e X um campo de vetores
em M̄ , denote por X T e X ⊥ as componentes tangente e normal de X, com respeito a M ,
então
D→
E
−
divM X = divM X T + H , X ,
→
−
onde H é o vetor curvatura média.
31

Demonstração.
divM X = divM (X T + X ⊥ )
= divM X T + divM X ⊥
n
X
T
¯ e X ⊥ , ei i
= divM X +
h∇
i
= divM X T +

i=1
n
X

¯ e ei , X ⊥ i
h−∇
i

i=1

= divM X T −

n
X

hα(ei , ei ), X − X T i

Di=1
E
→
−
= divM X − H , X
T

2.2

Laplaciano e Hessiana

Definição 2.3 Para toda função f ∈ C k , k ≥ 2, sobre M o laplaciano de f , denotado por
∆f , é definido por
∆f := div(grad f ).
Para funções f e h temos
div(h(grad f )) = h∆f + hgrad h, grad f i;
∆(f + h) = ∆f + ∆h;
∆(f h) = h(∆f ) + 2hgrad f, grad hi + f (∆h).
Definição 2.4 Seja f : M n → R uma função de classe C 2 . A hessiana de f é a forma
bilinear e simétrica Hessf : X (M ) × X (M ) → D(M ), definida para X, Y ∈ X (M ) por
Hessf (X, Y ) = X(Y (f )) − ∇X Y (f ).
A simetria e bilinearidade da hessiana segue das propriedades da conexão Riemanniana de
M . De fato, a simetria da hessiana segue da simetria da conexão,
∇X Y (f ) − ∇Y X(f ) = [X, Y ](f ) = X(Y (f )) − Y (X(f )),
assim
Hessf (X, Y ) = X(Y (f )) − ∇X Y (f ) = Y (X(f )) − ∇Y X(f ) = Hessf (Y, X).
32

Para a bilinearidade, temos
Hessf (X + Z, Y ) = (X + Z)(Y (f )) − ∇X+Z Y (f )
= X(Y (f )) + Z(Y (f )) − ∇X Y (f ) − ∇Z Y (f )
= (Hessf )p (X, Y ) + (Hessf )p (Z, Y );

Hessf (X, Y + Z) = X((Y + Z)(f )) − ∇X (Y + Z)(f )
= X(Y (f )) + X(Z(f )) − ∇X Y (f ) − ∇X Z(f )
= Hessf (X, Y ) + Hessf (X, Z).
Sabemos que a toda forma bilinear simétrica B : E × E → R está associado um operador
auto-adjunto A tal que
B(a1 , a2 ) = hA(a1 ), a2 i,
onde E é um espaço vetorial com produto interno de dimensão finita, em particular o operador
auto-adjunto associado a forma hessiana é o operador hessiano
(Hessf )p : Tp M → Tp M.
Agora veremos que regra define o operador (Hessf )p . Com efeito, para X, Y ∈ X (M ) quaisquer
h(Hessf )p (X), Y i = Hessf (X, Y )
= X(Y (f )) − ∇X Y (f )
= X(hY, grad f i) − ∇X Y (f )
= X(hY, grad f i) − h∇X Y, grad f i
= h∇X Y, grad f i + hY, ∇X grad f i − h∇X Y, grad f i
= hY, ∇X grad f i ,
portanto
(Hessf )p (X) = ∇X gradf (p).

(2.5)

Lema 2.2 Seja f : M → R uma função suave. Se γ : (−ε, ε) → M é uma geodésica em M ,
então
d2
(Hessf )γ(t) (γ 0 (t), γ 0 (t)) = 2 (f ◦ γ)(t).
dt

33

Demonstração. Basta observar que
(Hessf )γ(t) (γ 0 (t), γ 0 (t)) = h∇γ 0 (t) grad f, γ 0 (t)i


d
Dγ 0 (t)
0
= hgrad f, γ (t)i − grad f,
dt
dt
d
= hgrad f, γ 0 (t)i
dt
d2
= 2 (f ◦ γ)(t).
dt

A última igualdade é devida a Proposição 2.1.
Lema 2.3 Se f : M n → R é uma função de classe C 2 . Então
∆f = tr(Hess)p .
Demonstração. Seja {e1 , . . . , en } uma base em Tp M , então
n
X
tr(Hessf )p =
h(Hessf )p (ei ), ei i

=

i=1
n
X

h∇ei grad f, ei i

i=1

= div(grad f ) = ∆f.

Agora, com objetivo de demonstrarmos o teorema de comparação do hessiano, definiremos
a forma do ı́ndice de uma geodésica.
Seja γ : [0, a] → M n uma geodésica. Indicaremos por V(0, a) = V o espaço vetorial
formado por campos vetoriais V ao longo de γ, diferenciáveis por partes e tais que V (0) =
V (a) = 0.
Definição 2.5 A forma do ı́ndice de γ é a forma bilinear simétrica Ia definida em V por
Z a
Ia (V, W ) =
(hV 0 , W 0 i − hR(γ 0 , V )γ 0 , W i)dt.
(2.6)
0

Em particular se J ∈ V é um campo de Jacobi ao longo de γ, então
Ia (J, J) = hJ 0 , Ji(a).

34

(2.7)

De fato,
Z a
Ia (J, J) =

(hJ 0 , J 0 i − hR(γ 0 , J)γ 0 , Ji)dt

0

Z a
=

(hJ 0 , J 0 i + hJ 00 , Ji)dt

Z0 a

d 0
hJ , Jidt
0 dt
= hJ 0 , Ji(a).

=

Proposição 2.4 Sejam M n uma variedade Riemanniana completa e γ : [0, a] → M uma
geodésica normalizada partindo de p e que não intersecta o Cut(p). Se 0 < t0 ≤ a e X ∈
Tγ(t0 ) M é ortogonal a γ 0 (t0 ), então
(Hess r)γ(t0 ) (X, X) = hJ 0 , Ji(t0 ),

(2.8)

onde J é o campo de Jacobi ao longo de γ tal que J(0) = 0 e J(t0 ) = X.
Demonstração. Como o Cut(p) é fechado em M , podemos tomar uma geodésica α :
(−ε, ε) → M \ Cut(p) tal que α(0) = γ(t0 ) e α0 (0) = X. Sendo α geodésica temos pelo
Lema 2.2 que
(Hess r)γ(t0 ) (X, X) = (r ◦ α)00 (0).
(2.9)
Seja β = ((expp )|Ep )−1 ◦ α : (−ε, ε) → Ep e φ : (−ε, ε) × [0, t0 ] → M \ Cut(p) a variação da
geodésica γ|[0,t0 ] dada por


t
β(s) ,
φ(s, t) = expp
t0
com campo variacional, de Jacobi, J. De φ(s, 0) = p para todo s temos J(0) = 0; de
(s, t0 )|s=0 = α0 (0) = X. Como X ⊥ γ 0 (t0 ), segue que J ⊥ γ 0
φ(s, t0 ) = α(s), temos J(t0 ) = ∂φ
∂s
ao longo de γ e consequentemente hJ 0 , γ 0 i = 0.
Por outro lado, sendo E : (−ε, ε) → R o funcional energia de φ (ver [5] pág. 214), segue
que
Z t0
∂φ
(r ◦ α)(s) = l(φs ) =
(s, t) dt
∂t
0
!1/2
Z t0
2
√
∂φ
≤ t0
(s, t) dt
∂t
0
√
= t0 E(s)1/2 ,
onde na segunda igualdade usamos o fato de φs estar parametrizada proporcionalmente ao
comprimento de arco. Portanto,
√
t0
0
(r ◦ α) (s) = l(φs ) =
E(s)−1/2 E 0 (s)
2
35

e

√
√
t0
t0
−3/2 0
2
(r ◦ α) (s) = −
E(s)
E (s) +
E(s)−1/2 E 00 (s).
4
2
Pela a fórmula da primeira variação da energia (ver [5] pág. 215)

Z t0 
Dγ 0
1 0
J,
E (0) = −
dt + hJ, γ 0 i|t00 = 0,
2
dt
0
00

(2.10)

uma vez que J ⊥ γ 0 . Logo, aplicando a fórmula da segunda variação da energia (ver [5] pág.
218) em (2.10), obtém-se
√
t0
00
(r ◦ α) (0) =
E(0)−1/2 E 00 (0)
√2
√

t0
t0
=
.
. 2 It0 (J, J) + hJ 0 , γ 0 i|t00
2 r(γ(t0 ))
= It0 (J, J) = hJ 0 , Ji(t0 ).
Logo por (2.9)
(Hess r)γ(t0 ) (X, X) = hJ 0 , Ji(t0 ).

Teorema 2.5 (Lema do Índice) Sejam M n uma variedade Riemanniana e γ : [0, a] → M
uma geodésica tal que para todo t ∈ (0, a] γ(t) não é conjugado a γ(0) ao longo de γ. Se V
é um campo diferenciável por partes e J um campo de Jacobi ao longo de γ, com V (0) =
J(0) = 0 e V (t0 ) = J(t0 ) para t0 ∈ (0, a], então
It0 (V, V ) ≥ It0 (J, J),
além disso, ocorre a igualdade se, e somente se, V (t) = J(t) para todo t ∈ [0, a].
Demonstração. Se J é o espaço vetorial dos campos de Jacobi ao longo de γ com J(0) = 0,
então a dim J = n, pelo isomorfismo
J → Tγ(0) M
J 7→ J 0 (0).
Como para J ∈ J tem-se hJ, γ 0 i(t) = hJ 0 (0), γ 0 (0)it, segue que hJ, γ 0 i ≡ 0 ⇔ hJ 0 (0), γ 0 (0)i =
0. Podemos então tomar uma base {J1 , . . . , Jn−1 , Jn = tγ 0 (t)} de J , tal que hJi , γ 0 i ≡ 0 para
1 ≤ i ≤ n − 1. Sejam α1 , . . . , αn−1 ∈ R tais que
J=

n−1
X
i=1

36

αi Ji .

Como γ(t) não é conjugado a γ(0) ao longo γ, para 0 < t ≤ a, temos que {J1 (t), . . . , Jn−1 (t)}
é base do (span{γ 0 (t)})⊥ ⊂ Tγ(t) M , para t ∈ (0, a]. Mas
Ji (t) = (d expγ(0) )tγ 0 (0) tJi0 (0) = t (d expγ(0) )tγ 0 (0) Ji0 (0) = tAi (t),
|
{z
}
Ai (t)

com Ai (0) = Ji0 (0) e An (t) = γ 0 (t), de modo que {A1 (t), . . . , An−1 (t)} é base do (span{γ 0 (t)})⊥
⊂ Tγ(t) M , para 0 ≤ t ≤ a. Segue que existem funções β1 , . . . , βn : [0, a] → R, diferenciáveis
por partes tais que βi (0) = 0 para 1 ≤ i ≤ n e
n
X

V (t) =

βi (t)Ai (t), ∀ t ∈ [0, a].

i=1

Mas para 0 ≤ i ≤ n e 0 ≤ t ≤ a, temos
Z t
Z 1
Z 1
0
0
βi (s)ds =
βi (tτ )tdτ = t
βi0 (tτ )dτ ,
βi (t) =
0
0
}
| 0 {z
bi (t)

onde cada bi é diferenciável por partes em [0, a], assim
V (t) =

n
X

bi (t)Ji (t), ∀ t ∈ [0, a]

i=1

e observe que
V (t0 ) = J(t0 ) ⇒ bi (t0 ) = αi , ∀ i ∈ [1, n].

0

0

Como It0 (J, J) = hJ , Ji(t0 ) e V =

n
X

(2.11)

(b0i Ji + bi Ji0 ) onde V for diferenciável, temos

i=1

Z t0
It0 (V, V ) =

[hV 0 , V 0 i − hR(γ 0 , V )γ 0 , V i]dt

0

=

n Z t0
X
i,j=1

=

0

n Z t0
X
i,j=1

[hb0i Ji + bi Ji0 , b0j Jj + bj Jj0 i − hbi R(γ 0 , Ji )γ 0 , bj Jj i]dt
| {z }
−Ji00

[|b0i Ji |2 + hb0i Ji , bj Jj0 i + hbi Ji0 , b0j Jj i + hbi Ji0 , bj Jj0 i + hbi Ji00 , bj Jj i]dt.

0

Por outro lado
d
hbi ji0 , bj Jj i = hb0i ji0 + bi ji00 , bj Jj i + hbi ji0 , b0j Jj + bj Jj0 i
dt
= hb0i ji0 , bj Jj i + hbi ji00 , bj Jj i + hbi ji0 , b0j Jj i + hbi ji0 , bj Jj0 i
37

Donde
It0 (V, V ) =

n Z t0 
X
i,j=1

|b0i Ji |2 + hb0i Ji , bj Jj0 i − hb0i ji0 , bj Jj i +

0


d
0
hbi ji , bj Jj i dt
dt

Agora afirmamos que
hJi0 , Jj i = hJi , Jj0 i, para quaisquer 1 ≤ i, j ≤ n e t ∈ [0, a].
De fato, sendo φ(t) = hJi0 , Jj i − hJi , Jj0 i temos φ(0) = 0 e
φ0 (t) = hJi00 , Jj i − hJi , Jj00 i = −hR(γ 0 , Ji )γ 0 , Jj i + hJi , R(γ 0 , Jj )γ 0 i = 0,
logo φ ≡ 0. Segue de (2.11) e da afirmação acima que
It0 (V, V ) =
≥
=

n Z t0
X

|b0i Ji |2 dt +

0

i=1
n
X

n Z t0
X
d
i,j=1

0

dt

hbi Ji0 , bj Jj idt

(2.12)

hbi Ji0 , bj Jj i|t00

i,j=1
n
X

hαi Ji0 (t0 ), αj Jj (t0 )i

i,j=1

= It0 (J, J).
Para a igualdade, é imediato de (2.12) que devemos ter b0i (t) = 0 para t ∈ (0, t0 ] onde V for
diferenciável. Portanto, bi (t) = αi para t ∈ [0, t0 ] por continuidade, logo
V (t) = αi Ji (t) = J(t), ∀ t ∈ [0, t0 ].

Teorema 2.6 (Comparação do Hessiano) Sejam M n e M̄ n variedades Riemannianas
completas e γ : [0, a] → M e γ̄ : [0, a] → M̄ geodésicas normalizadas que não intersectam
respectivamente Cut (γ(0)) e Cut (γ̄(0)). Se
KM (γ 0 (t), X) ⩽ KM̄ (γ̄ 0 (t), X̄),
para todo t ∈ [0, a], X ∈ Tγ(t) M e X̄ ∈ Tγ̄(t) M̄ , unitários e ortogonais respectivamente a γ 0 (t)
e γ̄ 0 (t), e r e r̄ são respectivamente as funções distância em M e M̄ a partir de γ(0) e γ̄(0).
Então para 0 < t ⩽ a,
(Hess r)γ(t) (X, X) ≥ (Hess r̄)γ̄(t) (X̄, X̄).
Além disso, vale a igualdade se e só se KM (γ 0 (t), X) = KM̄ (γ̄ 0 (t), X̄).
38

Demonstração. Fixe 0 < t0 ≤ a. Pela Proposição 2.4, temos
(Hess r)γ(t0 ) (X, X) = hJ 0 , Ji(t0 ),
onde J é o campo de Jacobi ao longo de γ tal que J(0) = 0 e J(y0 ) = X. Em particular
hJ, γ 0 i = 0 em [0, t0 ]. Analogamente
¯ 0 ),
(Hess r̄)γ̄(t0 ) (X̄, X̄) = hJ¯0 , Ji(t
¯ = 0 e J(t
¯ 0 ) = X̄, com hJ,
¯ γ̄ 0 i = 0 em
onde J¯ é o campo de Jacobi ao longo de γ̄ tal que J(0)
[0, t0 ]. Como γ̄ não encontra o Cut(γ̄(0)) em (0, t0 ], segue que γ̄(t) não é conjugado a γ̄(0)
ao longo de γ̄, para t ∈ (0, t0 ]. Portanto, pela parte (b) do teorema de Rauch
|J(t0 )|2 ¯0 ¯
(Hess r)γ(t0 ) (X, X) = hJ 0 , Ji(t0 ) ≥ ¯
hJ , Ji(t0 )
|J(t0 )|2
|X|2
=
(Hess r̄)γ̄(t0 ) (X̄, X̄)
|X̄|2
= (Hess r̄)γ̄(t0 ) (X̄, X̄).
Pela Observação 1.14, do teorema de Rauch, a igualdade vale se e só se KM (γ 0 (t), X) =
KM̄ (γ̄ 0 (t), X̄).
Teorema 2.7 Seja Rn munido com a métrica g, que pode ser escrita em coordenadas polares
como
dr2 + f 2 (r)dw2
onde f é uma função suave, dw2 é a métrica canônica sobre Sn−1 e r(x) = d(x, 0), onde d é
a função distância. Então para x = rw, r > 0, w ∈ Sn−1 ,
Hess r(x) =

f 0 (r)
(g − dr ⊗ dr)
f (r)

além disso,
∆r(x) = (n − 1)

f 0 (r)
.
f (r)

∂
Demonstração. Usando que as curvas r → rw são geodésicas para w fixado e que ∂r
é o
campo velocidade, então pela definição de hessiana


∂ ∂
∂ ∂
∂
Hess r
,
=
(r) − ∇ ∂
(r)
(2.13)
∂r
∂r ∂r
∂r ∂r
∂r
∂
(1) = 0
=
∂r

39

∂
Se X é um campo ortogonal a ∂r
, então






∂
∂
∂
∂
, X = Hess r X,
=X
(r) − ∇X (r),
Hess r
∂r
∂r
∂r
∂r

pela Proposição 2.3 grad r =

∂
e, portanto
∂r
∂
∇X (r) =
∂r



∂ ∂
∇X ,
∂r ∂r


,

ainda pela Proposição 2.3


∂ ∂
,
∂r ∂r



∂ ∂
,
∂r ∂r



= 1,

assim,

0=X



∂ ∂
= 2 ∇X ,
.
∂r ∂r

∂
,
∂r

 

∂
∂ ∂
Hess r
, X = ∇X ,
= 0.
∂r
∂r ∂r

Portanto, quando X é ortogonal a

(2.14)

Agora consideremos os campos de vetores X e Y que são tangentes ao conjunto de nı́vel
r = c, onde c é uma constante positiva. Então X(r) = Y (r) = 0 e


∂
Hess r(X, Y ) = −∇X Y (r) = − ∇X Y,
.
∂r
Como Y é ortogonal a

∂
, temos por (1.3) que
∂r


∂
Hess r(X, Y ) = Y, ∇X
.
∂r




∂
∂
∂
Seja
, para i = 1, . . . , n−1, campos de vetores coordenados sobre Sn−1 e
=
∂xi
∂xn
∂r
o campo normal a superfı́cie r = c. Então para 1 ≤ i, j ≤ n − 1,
+

 
 *X
X
∂
∂
∂
∂
∂
∂
Hess r
,
=
,∇ ∂
=
Γsjn
,
=
Γsjn gsi ,
(2.15)
∂xj ∂x
∂xi ∂xj
∂xi
∂x
∂x
i
s
i
s
s
40

onde Γsjn , são os sı́mbolos de Christoffel dados por
1
Γsjn =

X ∂

2

Como gni =

D

∂
, ∂
∂r ∂xi

E


∂
∂
gnk +
gkj −
gjn g ks .
∂xj
∂xn
∂xk

k

= 0 para todo = 1, . . . , n − 1, temos

1
Γsjn =

X ∂

2



∂xn

k

gkj g ks .

como g(r, w) = dr2 + f (r)2 dw2 , temos que
g ks = f −2 (dw2 )ks e

∂
∂
gkj =
gkj = 2f f 0 (dw2 )kj .
∂xn
∂r

Portanto
Γsjn =

X f0
k
0

=

f

(dw2 )kj (dw2 )ks

f
δsj
f

Voltando a (2.15), temos que

Hess r

∂
∂
,
∂xi ∂xj

Por linearidade, se X e Y são ortogonais a



X f0

δsj gsi
f
s


f0
∂
∂
=
,
.
f ∂xi ∂xj

=

∂
, temos
∂r

Hess r(X, Y ) =

f0
g(X, Y ).
f

Agora sejam X e Y campos de vetores quaisquer, os quais podemos escrever como
∂
,
∂r
∂
Y = Y1 + β
∂r

X = X1 + α

onde X1 e Y1 são ortogonais a

∂
, consequentemente
∂r
41

(2.16)



∂
g X,
=α e
∂r


∂
g Y,
= β.
∂r
Pela linearidade da hessiana e as equações (2.13), (2.14) e (2.16) temos




∂
∂
+ αHess r
, Y1 +
Hess r(X, Y ) = Hess r(X1 , Y1 ) + βHess r X1 ,
∂r
∂r


∂ ∂
+ αβHess r
,
∂r ∂r
= Hess r(X1 , Y1 )
f0
= g(X1 , Y1 )
f


f0
∂
∂
= g X − α ,Y − β
f
∂r
∂r







0
∂ ∂
f
∂
∂
=
, Y + αβg
,
g(X, Y ) − βg X,
− αg
f
∂r
∂r
∂r ∂r
f0
= [g(X, Y ) − αβ]
f


 

f0
∂
∂
=
g(X, Y ) − g X,
g Y,
f
∂r
∂r
0
f
= (g(X, Y ) − dr ⊗ dr(X, Y )).
f
Para a segunda parte temos que,


 

n
X
f0
∂
∂
f0
∆r(x) = tr(Hess r(x)) =
g(ei , ei ) − g ei ,
g ei ,
= (n − 1) ,
f
∂r
∂r
f
i=1
onde e1 , . . . , en =

∂
é uma base ortonormal.
∂r

Em particular, tomando a métrica dr2 + s2δ (r)dw2 , onde sδ é solução do sistema
(
y 00 + δy = 0
y(0) = 0, y 0 (0) = 1
temos que
Hess r(X, Y ) =

s0δ (r)
(g(X, Y ) − dr ⊗ dr(X, Y ))
sδ (r)
42

(2.17)

e

s0 (r)
∆rδ (x) = (n − 1) δ
= Hess rδ (ei , ei ),
sδ (r)

onde rδ é a função distância na variedade Mδ de curvatura seccional constante δ.

43

Capı́tulo 3
Limites Superiores Extrı́nsecos para λ1
Nesse capı́tulo provaremos o resultado principal dessa dissertação, que é uma generalização
do teorema de Reilly. No entanto, começaremos mostrando dois métodos de calcular os
autovalores do laplaciano, conhecidos como quociente de Rayleigh e o princı́pio do MinMax,
para os quais dedicamos a primeira seção.

3.1

Rayleigh e o método MinMax

Seja L2 (M ) o espaço das funções mensuráveis f sobre M tal que
Z
|f |2 dM < +∞.
M

Sobre L2 (M ) temos o produto interno usual, e a norma induzida, respectivamente dados por
Z
(f, g) :=
f h dM, kf k2 = (f, f )
M

para quaisquer f, h ∈ L2 (M ).
Nosso interesse é no seguinte problema de autovalores:
Problema fechado de autovalores: Seja M uma variedade Riemanniana compacta,
sem bordo e conexa. Determine todos os números reais λ tais que exista uma solução não
trivial, isto é, uma função não nula φ ∈ C 2 (M ) satisfazendo a EDP
∆φ + λφ = 0.

(3.1)

Os números λ são chamados de autovalores do laplaciano e o espaço vetorial das soluções
de (3.1) para um dado autovalor λ é chamado de autoespaço. Os elementos de cada autoespaço são chamados de autofunções.
Daqui em diante, por simplicidade, não usaremos o elemento de volume dM , no contexto
ficará implı́cito o seu uso.
44

Observe que, se φ satisfaz (3.1), então
R

|grad φ|2
≥ 0.
φ2
M

MR

λ=

De fato, multiplicando (3.1) por φ e integrando obtemos
R
Z
φ∆φ
R
(φ∆φ + λφ2 ) = 0 ⇒ λ = − M
φ2
M
M
como M não tem bordo, obtemos pela fórmula de Green
Z
Z
(f ∆h + hgrad f, grad hi) =
M

hν(f ),

(3.2)

(3.3)

∂M

onde ν denota o campo unitário normal exterior sobre ∂M , que
Z
Z
|grad φ|2 ,
φ∆φ = −
M

M

substituindo em (3.2), obtemos
R
λ=

|grad φ|2
.
φ2
M

MR

Agora para campos de vetores contı́nuos X, Y em M , definimos o produto interno
Z
(X, Y ) =
hX, Y idM,
M

com norma
2

Z

kXk =

|X|2 dM.

(3.4)

M

Identificaremos L2 (M ) como o conjunto dos campos de vetores mensuráveis sobre M (isto
é, campos de vetores cujas funções coeficientes, em uma carta, são mensuráveis) para os quais
a integral (3.4) é finita. Com o produto interno e a norma definidos acima, L2 (M ) é um
espaço de Hilbert.
Definição 3.1 Se f ∈ L2 (M ) dizemos que Y ∈ L2 (M ) é uma derivada fraca de f se
(Y, X) = −(f, divX)
para todo campo X com suporte compacto sobre M .
Lema 3.1 Se f é uma função de classe C 1 sobre uma variedade Riemanniana M e X é um
campo também de classe C 1 e com suporte compacto sobre M , então
(grad f, X) = −(f, divX).
45

Demonstração. Pela equação (2.4) temos que
Z
Z
Z
div(f X) =
f divX +
hgrad f, Xi,
M

M

M

R
mas pelo teorema da divergência M div(f X) = 0, logo
Z
Z
(grad f, X) =
hgrad f, Xi = −
f divX = −(f, divX).
M

M

Vamos denotar por H(M ) o subespaço de L2 (M ) (referido como o espaço de Sobolev, pois
é possı́vel mostrar que quando ∂M = ∅, H(M ) coincide com o espaço de Sobolev W 1,2 (M ))
consistindo das funções em L2 (M ) que possuem derivada fraca. Sobre H(M ) definimos o
produto interno
(f, h)1 = (f, h) + (grad f, grad h)
com norma associada,

kf k21 = kf k2 + kgrad f k2 .

(3.5)

É também conhecido que H(M ) é o completamento de
{f ∈ C ∞ (M ) : kf k1 < +∞}
na métrica induzida por (3.5). Além disso, como ∂M (quando não vazia) é C ∞ , temos que
C ∞ (M̄ ) é denso em H(M ) na métrica dada. No problema fechado de autovalores, H(M ) é
também conhecido como o espaço das funções admissı́veis.
Sobre H(M ) vamos considerar a forma bilinear simétrica, conhecida como integral de
Dirichlet ou da energia, dada por
D[f, h] = (grad f, grad h)

(3.6)

para f, h ∈ H(M ).
Lema 3.2 No problema fechado de autovalores , se φ ∈ C 2 (M ) é uma autofunção e f ∈
C ∞ (M ), então
(∆φ, f ) = −D[φ, f ].
Demonstração. Basta observar que sendo M compacto sem bordo, então da equação (3.3)
Z
Z
Z
(f ∆φ + hgrad f, grad φi) = 0 ⇒
f ∆φ = −
hgrad f, grad φi,
M

M

46

M

isto é

Z

Z
f ∆φ = −

(∆φ, f ) =
M

hgrad f, grad φi = −D[f, φ].
M

Agora temos todos os elementos necessários para o teorema de Rayleigh, que enunciamos
visando o problema fechado de autovalores:
Teorema 3.1 (Rayleigh) Seja M n uma variedade Riemanniana e considere o problema
fechado de autovalores tendo espaço de funções admissı́veis H(M ) e autovalores
λ1 ≤ λ2 . . . ,

(3.7)

onde cada autovalor é repetido o número de vezes igual a sua multiplicidade. Então para toda
f ∈ H(M ), f 6= 0, temos
D[f, f ]
λ1 ≤
,
(3.8)
kf k2
com igualdade se, e somente se, f é uma autofunção de λ1 . Se {φ1 , φ2 , . . .} é uma base
ortonormal de L2 (M ) tais que φj é uma autofunção de λj para cada j = 1, 2, . . . , então para
f ∈ H(M ), f 6= 0, satisfazendo
(f, φ1 ) = . . . = (f, φk−1 ) = 0,

(3.9)

temos a desigualdade
λk ≤

D[f, f ]
kf k2

(3.10)

com igualdade se, e somente se, f é uma autofunção de λk .
Demonstração. Ver [4], página 16.
Teorema 3.2 (Minmax) Dados v1 , . . . , vk−1 ∈ L2 (M ), seja


D[f, f ]
µ = inf
,
kf k2
onde f percorre os subespaços (exceto a origem) de funções em H(M ) ortogonais a v1 , . . . ,
vk−1 . Então para o problema de autovalores dado em (3.7) temos
µ ≤ λk .
Claramente, se v1 , . . . , vk−1 são ortogonais, com cada vi sendo autofunção de λi , i = 1, . . . , k−
1, então µ = λk .
Demonstração. Ver [4], página 17.

47

3.2

Resultados principais

Nessa última seção trabalharemos com os resultados que envolvem diretamente o primeiro
autovalor do laplaciano, λ1 . Nosso principal objetivo é provar os Teoremas 3.4 e 3.8. Para
isso provaremos alguns lemas técnicos que tornará a demonstração dos teoremas citados mais
didática. Iniciamos com uma pequena introdução do resultado obtido por Reilly:
seja M uma variedade Riemanniana n-dimensional compacta, conexa e imersa isometricamente em RN e λ1 (M ) o primeiro autovalor do operador laplaciano de M , Reilly mostrou
que
Z
n
λ1 (M ) ≤
H 2,
volM M
−
→
−
1 →
onde H = | H | é a curvatura média, H = tr α é o vetor curvatura média e α é a segunda
n
forma fundamental de M em RN . O resultado de Reilly melhora a seguinte estimativa, devida
a Bleecker e Weiner [1]
Z
n
λ1 (M ) ≤
|α|2 dM.
volM M
Que pode ser comprovada assim,
!2
2
n
n
X
X
1
1
α(ei , ei ) ≤
|α(ei , ei )|
nH 2 =
n i=1
n i=1
≤

n
X

|α(ei , ei )|2

i=1

≤

n
X

|α(ei , ej )|2 = |α|2 ,

i,j=1

onde a segunda desigualdade é devida a Cauchy-Schwarz e e1 , . . . , en é uma base ortonormal
do espaço tangente.
Como acima mencionado nosso objetivo nessa dissertação é estender a desigualdade de
Reilly para outros espaços M̄ , isto será feito de varias maneiras, por exemplo:
Teorema 3.3 Se M̄ é compacto então, existe c ∈ R tal que
Z
n
λ1 (M ) ≤ c +
H2
volM M
para toda variedade M compacta, conexa e imersa isometricamente em M̄ .
Demonstração. A prova segue de uma combinação da desigualdade de Reilly com o teorema
de Nash, Teorema 1.9. Por Nash temos que M̄ está imersa isometricamente num espaço
euclidiano RN . Consequentemente, M está imersa isometricamente em RN , assim
Z
n
e 2,
λ1 (M ) ≤
H
volM M
48

e é a curvatura média de M em RN . Se α̃, αM̄ denotam as segundas formas fundaonde H
mentais de M e M̄ em RN , respectivamente, então α̃ = α + αM̄ , onde α é a segunda forma
fundamental de M em M̄ . Com efeito, se α denota a segunda forma fundamental de M em
M̄ , então por definição para X, Y ∈ X (M ), X1 , Y1 suas extensões a M̄ , respectivamente, e
X 0 , Y 0 extensões a RN de X1 , Y1 , respectivamente e denotando por C a conexão Riemanniana
de RN temos que:
α̃(X, Y ) = CX 0 Y 0 − ∇X Y
α(X, Y ) = ∇X1 Y1 − ∇X Y
αM̄ (X1 , Y1 ) = CX 0 Y 0 − ∇X1 Y1 .
Portanto,
α(X, Y ) + αM̄ (X1 , Y1 ) = CX 0 Y 0 − ∇X Y = α̃(X, Y ),

(3.11)

e consequentemente
n

n

i=1

i=1

X
→
−
→
− X
H1 =
α̃(ei , ei ) = H +
αM̄ (ei , ei ),
→
−
onde H1 é o vetor curvatura média de M em RN e e1 , . . . , en é uma base ortonormal do
espaço tangente. Assim,
−
1
e 2 = 1 |→
H
H
|
=
1
n2
n2

*
+
n
n
→
− X
→
− X
H+
αM̄ (ei , ei ), H +
αM̄ (ei , ei )
i=1

i=1

* n
1 X

− →
−
1 →
= 2hH, Hi + 2
n
n
= H2 +

αM̄ (ei , ei ),

i=1

n
X

+
αM̄ (ei , ei )

i=1

2
+ 2
n

*
+
n
→
− X
H,
αM̄ (ei , ei )
i=1

2

n
X

1
α (ei , ei ) ,
n i=1 M̄

pois αM̄ (ei , ei ) é perpendicular a M̄ , consequentemente
*
+
n
→
− X
H,
αM̄ (ei , ei ) = 0,
i=1

assim
1
λ1 (M ) ≤
n volM

Z
M

n
X

2

n
αM̄ (ei , ei ) +
volM
i=1

Z

n
H ≤c+
volM
M
2

Z

H2

M

onde c := maxν∈S M̄ |αM̄ (ν, ν)| e S M̄ denota o fibrado tangente unitário. Isto completa a prova
do teorema.
O primeiro dos objetivos principais dessa dissertação é mostrar a seguinte extensão da
desigualdade de Reilly:
49

Teorema 3.4 Se KM̄ ≤ δ para algum δ ≥ 0 e se além disso M está em uma bola convexa
π
de raio r ≤ 4√
quando δ > 0, então
δ
Z
n
λ1 (M ) ≤ nδ +
H 2.
volM
Se vale a igualdade, então M é imersa minimamente em alguma esfera geodésica.
Para mostrarmos um caso particular do Teorema 3.4, vamos usar os dois resultados
seguintes:
Teorema 3.5 Duas variedades Riemannianas compactas 2-dimensional são homeomorfas
se, e somente se, elas têm a mesma caracterı́stica de Euler e são ambas orientáveis ou não
orientáveis.
Demonstração. Ver [10], página 33.
Teorema 3.6 Seja M uma superfı́cie de Riemann orientada de gênero g com área A. Então
λ1 ≤ 8π(g + 1)A−1 .
Demonstração. Ver [12], página 4.
Agora para n = 2, temos o seguinte caso particular do Teorema 3.4:
Proposição 3.7 Seja M homeomorfa a S2 e KM̄ ≤ δ para algum δ ∈ R. Então
Z
2
H 2.
λ1 (M ) ≤ 2δ +
volM M
Demonstração. Sendo M homeomorfa a S2 , segue que M tem dimensão 2, pelo Teorema
de Invariância da dimensão, e pelo Teorema 3.5 M e S2 têm a mesma caracterı́stica de
Euler e consequentemente o mesmo gênero g = 0. Usando o Teorema 3.6 temos
λ1 (M ) ≤

8π(g + 1)
8π
=
,
volM
volM

usando o teorema de Gauss-Bonnet
8π
2
λ1 (M ) ≤
=
volM
volM

Z
KM ,
M

onde KM denota a curvatura seccional de M .
Tendo M dimensão 2, então temos duas curvaturas principais k1 e k2 . Agora, observamos
que
0 ⩽ (k1 − k2 )2 = k12 − 2k1 k2 + k22
50

e portanto,
2k1 k2 ≤ k12 + k22 .
Mas,
(k1 + k2 )2 = k12 + 2k1 k2 + k22 ≥ 4k1 k2
logo,
(k1 + k2 )2
k1 k2 ≤
=
4



k1 + k2
2

2
.

Pelo teorema de Gauss KM (x, y) − KM̄ (x, y) = hα(x, x), α(y, y)i − |α(x, y)|2 , temos
KM (x, y) − KM̄ (x, y) ≤ hα(x, x), α(y, y)i = k1 k2

2
k1 + k2
≤
= H 2.
2
Portanto
KM (x, y) ≤ KM̄ (x, y) + H 2 ≤ δ + H 2 .
Logo
2
λ1 (M ) ≤
volM

Z

(δ + H 2 )
M Z
2
= 2δ +
H 2.
volM M

Nosso resultado mais geral quando δ < 0 é o seguinte:
Teorema 3.8 Se KM̄ ≤ δ para algum δ < 0 e M está em uma bola convexa, então
λ1 (M ) ≤ nδ + n max H 2 .

Agora, seja sδ a solução de
y 00 + δy = 0

(3.12)

com y(0) = 0, y 0 (0) = 1 e ponha cδ := s0δ . Então, c0δ = −δsδ e c2δ + δs2δ = 1. Para comprovar
esta última igualdade seja f (t) = (cδ (t))2 + δ(sδ (t))2 , então
f 0 (t) = 2cδ (t)c0δ (t) + 2δsδ (t)s0δ (t)
= −2δs0δ sδ + 2δs0δ sδ = 0,
51

portanto f é constante, e

f (0) = (cδ (0))2 + δ(sδ (0))2
= (s0δ (0))2 + δ(sδ (0))2
= 1,
pois s0δ (0) = 1 e sδ (0) = 0.
sδ (r)
1 R
cδ (r) − c
√
no caso δ > 0, onde c :=
·xi e
cδ (r) é constante, como
r
volM M
δ
funções teste no quociente de Rayleigh onde xi são as coordenadas normais de M̄ centrada
em algum ponto p0 ∈ M̄ e r = d(p0 , ·) é a distância a p0 . Assuma , que M está numa bola
π
se δ > 0. Em particular cδ ≥ 0. Seja
convexa em torno de p0 de raio menor ou igual 4√
δ
X := sδ (r)grad r, onde o gradiente é tomado em M̄ . Como, |grad r| = 1 temos
Vamos usar

|X|2 = s2δ (r)hgrad r, grad ri = s2δ (r),

logo
Z

2
Z X
n 
sδ (r)
xi
|X| = λ1 (M )
r
M
M i=1
2
Z X
n 


s
(r)
δ
 ,
gradM
x
≤
i


r
M i=1

s2δ (r) = λ1 (M )

λ1 (M )
M

Z

2

(3.13)

e a desigualdade é pelo quociente de Rayleigh.
No caso δ > 0
(cδ (r) − c)2
λ1 (M )
≤
δ
M
Z

Z

1
|gradM cδ (r)|2 .
δ
M

(3.14)

Aqui gradM denota o gradiente em M , isto é, a componente tangente do gradiente em M̄ .
Note, que grad cδ = −δX, com efeito
grad cδ (r) = grad s0δ (r)
= s00δ (r)grad r
= −δsδ grad r
= −δX,
e consequentemente gradM cδ = −δX T onde T denota a parte tangente.
52

Pelo teorema de Rayleigh, as desigualdades (3.13) e (3.14) são válidas apenas se
Z
Z
cδ (r) − c
sδ (r)
√
xi = 0.
=
r
δ
M
M
Com esse objetivo definimos
Z Z r(y,f (x))
1
δ
Pf (y) =
sδ (t)dtdx,
volM M 0
onde f : M → Br (p) ⊂ M̄ é uma imersão isométrica da variedade compacta M numa bola
convexa de M̄ e r(y, f (x)) é a função distância de y a f (x).
Para a próxima proposição, relembramos algumas definições:
Definição 3.2 Uma função g : R → R é chamada convexa se para todo a < b e s ∈ (0, 1)
temos
g((1 − s)a + sb) ≤ (1 − s)g(a) + sg(b).
A função g é chamada estritamente convexa se a desigualdade é estrita. Uma função f sobre
uma variedade Riemanniana M é (estritamente) convexa se para toda geodésica não trivial
γ : [0, 1] → M a função f ◦ γ é (estritamente) convexa. Um subconjunto A ⊂ M é chamado
convexo se para quaisquer p, q ∈ A existe uma única geodésica normalizada γ em M ligando
p a q com γ ⊂ A.
π
, então Pfδ tem um único
Proposição 3.9 Se KM̄ ≤ δ e B é a bola convexa de raio r ≤ 4√
δ
ponto mı́nimo em B, além disso, esse ponto mı́nimo está no interior de B.

Demonstração. Primeiramente calcularemos o gradiente de Pfδ . Como
Z Z r(y,f (x))
1
δ
Pf (y) =
sδ (t)dtdx,
volM M 0
usando o teorema fundamental do cálculo com a regra da cadeia e coordenadas normais com
y = expp (y1 , . . . , yn ) e f (x) = expp (f1 (x), . . . , fn (x)) temos
!1/2
n
X
r = r(y, f (x)) =
(yi − fi (x))2
.
i=1

Pela equação (2.3) grad Pfδ (y) =

n
X

∂i (Pfδ (y))∂i , assim temos que

i

1
volM

Z

1
volM

Z

1
=
volM

Z

∂i (Pfδ (y)) =

=

sδ (r)
M

sδ (r)
M

1
2
1
2

n
X

! 12 −1
(yi − fi (x))2

∂i

i=1
n
X

n
X

!
(yi − fi (x))2

i=1

!− 12
(yi − fi (x))2

i=1

sδ (r)
(yi − fi (x))dx.
r
M
53

2(yi − fi (x))dx

dx

Portanto,
grad Pfδ (y) =

n
X
i

1
volM
Z

1
=
volM

Z

sδ (r)
(yi − fi (x))dx∂i
r
M
n

sδ (r) X
(yi − fi (x))∂i dx.
r
M
i

Identificando os vetores

n
X

yi ∂i e

n
X

i

fi (x)∂i como pré-imagem da expy temos que

i
n
X

yi ∂i = exp−1
y (y) = 0

i

e
n
X

fi (x)∂i = exp−1
y (f (x)).

i

Portanto,
grad Pfδ (y) = −

1
volM

Z

sδ (r)
exp−1
y (f (x))dx.
r
M

Agora, pela compacidade de B, temos que Pfδ tem pelo menos um ponto mı́nimo em B.
Sendo
Pfδ (y) =

1
volM

Z Z r(y,f (x))
sδ (t)dtdx,
M

0

seja
Z r(y,f (x))
Ef (x) (y) :=

sδ (t)dt.
0

Então
grad Ef (x) (y) = sδ (r(y, f (x))). grad r(y, f (x))
sδ (r(y, f (x)))
=−
exp−1
y (f (x)).
r(y, f (x))

54

Agora, para X, Y ∈ X (M̄ ) temos pela equação (2.5) e por (iii) da definição de conexão
que
HessEf (x) (X, Y ) = h∇X grad Ef (x) , Y i
= h∇X sδ (r)grad r, Y i
= hsδ (r)∇X grad r + X(sδ (r))grad r, Y i
= sδ (r)h∇X grad r, Y i + X(sδ (r))hgrad r, Y i
= sδ (r)Hessr + hgrad sδ (r), Xihgrad r, Y i
= sδ (r)Hessr + s0δ (r)hgrad r, Xihgrad r, Y i
s0 (r)
≥ sδ (r) δ (hX, Y i − hgrad r, Xihgrad r, Y i) + s0δ (r)hgrad r, Xihgrad r, Y i
sδ (r)
0
= sδ (r)hX, Y i,
onde a desigualdade é devida ao teorema de comparação do hessiano, Teorema 2.6, e a
equação (2.17).
Agora sejam γ uma geodésica normalizada em B e φ(t) = Ef (x) (γ(t)), então
φ0 (t) = hgrad Ef (x) (γ(t)), γ 0 (t)i
e por (1.2)
00

φ (t) =




D
0
grad Ef (x) (γ(t)), γ (t) ,
dt

mas pelo item (iii) da Proposição 1.1
φ00 (t) = h∇γ 0 (t) grad Ef (x) (γ(t)), γ 0 (t)i
= HessEf (x) (γ(t))(γ 0 (t), γ 0 (t))
≥ s0δ (r)hγ 0 (t), γ 0 (t)i = cδ > 0,
portanto Ef (x) é estritamente convexa em B, consequentemente Pfδ também é, pois se γ é
uma geodésica normalizada em B, então ψ(t) = Pfδ (γ(t)) é tal que
Z
1
00
φ00 (t)dx ≥ 0.
ψ (t) =
volM M
Agora seja ȳ o ponto mı́nimo de Pfδ em B, observamos inicialmente que ȳ ∈
/ ∂B, pois na
∂B o campo
Z
1
sδ (r)
δ
grad Pf (y) = −
exp−1
y (f (x))dx
volM M r
aponta para dentro de B (observe que sδr(r) é sempre positivo em B) e portanto o grad Pfδ não
se anula na ∂B, logo ȳ está no interior de B. Para a unicidade, como ψ 00 (t) > 0 isso significa
55

que ψ 0 (t) é estritamente crescente, e portanto ψ 0 (t) anula-se em um único ponto para o qual
temos ȳ como ponto mı́nimo de Pfδ .
O ponto mı́nimo dado pela Proposição 3.9 é chamado de centro de massa de M em M̄ .
R sδ (r)
R
√
=
Lema 3.3 M cδ (r)−c
· xi = 0.
M r
δ
R
1
Demonstração. Sendo c = volM
c (r) constante, temos
M δ
Z
Z
(cδ (r) − c) =
cδ (r) − c. volM
M
M
Z
Z
1
cδ (r) −
cδ (r). volM = 0.
=
volM M
M
Para a segunda integral, temos pela Proposição 3.9 que Pfδ tem um único ponto mı́nimo
ȳ no interior de B e pela Proposição 2.1 grad Pfδ (ȳ) = 0. Assim tomando um sistema de
coordenadas normais (y1 , . . . , yn ) = exp−1
ȳ (y) em ȳ, obtemos
Z
sδ (r)
1
δ
exp−1
0 = grad Pf (ȳ) = −
ȳ (f (x))dx
volM M r
Z
sδ (r)
1
(f1 (x), . . . , fn (x))dx
=−
volM M r
onde r é a distância de f (x) a ȳ. Portanto
Z
sδ (r)
fi (x)dxi = 0.
r
M
Como fi (x) é identificado com xi , temos
Z
sδ (r)
xi dxi = 0.
r
M
O primeiro resultado que usaremos diretamente na demonstração dos Teoremas 3.4 e
3.8 é o seguinte
(i) divM X ≥ n · cδ ,
D →
−E
(ii) divM X T ≥ n · cδ + X, H .

Lema 3.4

Se KM ≡ δ, então vale a igualdade em (i) e em (ii).
Demonstração.
56

(i) Seja p ∈ M e e1 , . . . , en ∈ Tp M uma base ortonormal. Agora, observe que
divM X = divM (sδ grad r) = sδ divM (grad r) + hgrad sδ , grad ri
= sδ divM (grad r) + hs0δ grad r, grad ri
= sδ divM (grad r) + cδ |grad r|2 .
Mas,
divM (grad r) =

n
X

¯ e grad r, ei i
h∇
i

i=1

=

n
X

Hessr(ei , ei ) ≥ Hessrδ (e¯i , e¯i )

(3.15)

i=1

=
=

n
X
cδ (rδ )
i=1
n
X

sδ (rδ )

(he¯i , e¯i i − hgrad rδ , e¯i ihgrad rδ , e¯i i)

(3.16)

cδ (rδ )
(1 − hgrad rδ , e¯i i2 )
s
(r
)
i=1 δ δ

= (n − |grad rδ |2 )

cδ (rδ )
,
sδ (rδ )

onde a primeira desigualdade é devida ao teorema de comparação do hessiano, Teorema 2.6, a igualdade (3.16) é devida ao Teorema 2.7 e rδ é a função distância r
sobre a forma espacial de curvatura seccional δ. Portanto,
divM X ≥ cδ (rδ )(n − |grad rδ |2 ) + cδ (rδ )|grad r|2 = ncδ .

(3.17)

(ii) Usando o Lema 2.1
→
−E
divM X = divM X + X, H
D →
−E
≥ n · cδ + X, H .
D

T

Se KM ≡ δ, então temos igualdade em (3.15), pelo Teorema 2.6 e, consequentemente vale a
igualdade em (3.17) e em (ii).
As provas dos Teoremas 3.4 e 3.8 são inspiradas na prova de Reilly (o caso M̄ = Rn )
que essencialmente consiste em usar as funções coordenadas de Rn como funções teste no
quociente de Rayleigh e aplicar a fórmula de Minkowski. De fato, pelo teorema de Rayleigh,
Teorema 3.1
Z
Z
2
λ1 (M ) ·
f ≤
|grad f |2 ,
M

M

57

R
para toda função suficientemente suave f com M f = 0. Assim se 0 é o centro de massa de
M ⊂ Rn e xi são as funções coordenadas, então
Z
Z X
Z X
n
n
2
2
λ1
|X| = λ1
xi ≤
|gradM xi |2 = n · volM,
(3.18)
M

M i=1

M i=1

onde X é o campo de vetores posição. Sendo M̄ = Rn temos que KRn ≡ 0, pelo Lema 1.2,
e a equação (3.12) se torna y 00 = 0 cuja solução satisfazendo as condições iniciais é s0 = t,
assim c0 = 1. As desigualdades do Lema 3.4 se tornam igualdades, isto é divM X = nc0 = n
e
D→
E
−
divM X = divM X T − H , X
daı́,
Z
n volM =

Z D
E
→
−
H,X ,
divM X −

Z

T

divM X =
M

M

M

pelo teorema da divergência, a primeira parcela do lado direito da segunda igualdade acima
é nula, logo
Z D
E
→
−
H,X
(3.19)
n volM = −
M
Z
→
−
≤
| H ||X|
M

a equação (3.19) é conhecida como fórmula de Mikowski, assim
2
Z
→
−
2
| H ||X|
(n volM ) ≤
M
Z
Z
→
− 2
≤
|H|
|X|2
MZ
M
Z
2
2
=n
H
|X|2
M

M

multiplicando por λ1 e usando (3.18) obtemos,
Z
Z
2
2
2
λ1 (n volM ) ≤ n
H λ1
|X|2
M
M
Z
3
= n volM
H2
M

simplificando obtemos,
n
λ1 ≤
volM

Z

H 2.

M

O próximo lema é uma generalização da fórmula de Minkowski (Note, que cδ ≡ 1 se
δ = 0). Segue integrando (ii) do Lema 3.4 e pela a desigualdade de Cauchy-Schwarz.
58

R D →
R
R
−E
Lema 3.5 M cδ ≤ − n1 M X, H ≤ M Hsδ , se KM ≡ δ a igualdade vale na primeira
desigualdade.
→
−
Demonstração. Como X T ⊥ H , então pelo teorema da divergência e (ii) do Lema 3.4
temos,
Z D
Z
Z
Z D
−E
→
−E
T →
T
0=
X ,H =
divM X ≥
ncδ +
X, H
(3.20)
∂M

M

M

M

portanto,
Z D
→
−E
1
cδ ⩽ −
X, H
n M
M
Z D
→
−E
1
X, H
⩽ −
n
Z M
→
−
1
⩽
|X|| H |
n
Z M
Hsδ .
=

Z

(3.21)

M

Se KM ≡ δ, então vale a igualdade em (ii) do Lema 3.4, logo vale a igualdade em (3.20), e
consequentemente temos a igualdade em (3.21).
R
R
R
2
Lema 3.6 δ M X T ≥ n M c2δ − n M Hsδ cδ .
Demonstração. Se δ = 0 a desigualdade se reduz ao Lema 3.5, pois neste caso cδ = 1,
consequentemente
Z
Z
1⩽
M

Hsδ ,
M

que é o Lema 3.5 para δ = 0. Se δ 6= 0, X T = gradM f onde f = − 1δ cδ , então pela fórmula
de Green, temos
Z
Z
Z
Z
T 2
T
δ
|X | = −δ
f ∆f =
−δf divM X =
cδ divM X T
M
M
M
Z M
Z
D →
−E
2
≥n
cδ +
cδ X, H
ZM
ZM
→
−
≥n
c2δ −
cδ |X| | H |
M
ZM
Z
2
=n
cδ − n
Hsδ cδ ,
M

M

pelo Lema 3.4 e a desigualdade de Cauchy-Schwarz.

59

2
n 
X


s
(r)
δ
 + δ|X T |2 ≤ n.
gradM
x
Lema 3.7
i


r
i=1

Demonstração. Seja v := d(expp0 )q (ṽ) ∈ Tp M̄ ortogonal ao grad r, onde ṽ ∈ Tp0 M̄ ,
q = rγ 0 (0) com γ = expp0 uma geodésica normalizada. Pelo Lema 1.4, v = J(r) =
ṽ
d(expp0 )q (rJ 0 (0)), onde J 0 (0) =
, é um campo de Jacobi ao longo da geodésica γ tal que
|ṽ|
hJ, γ 0 i = 0. Como KM̄ ≤ δ, então na forma espacial de curvatura seccional δ o campo de
Jacobi é dado por Jδ (r) = sδ (r)w(r) com hγδ0 (r), w(r)i = 0 para todo r, e w é um campo
paralelo e unitário conforme o Exemplo 4.
Agora observamos que, J e Jδ satisfazem as hipóteses do Teorema 1.13 (Rauch): observando que J é linear, vem que J(0) = 0, por sua vez Jδ (0) = sδ (0)w(0) = 0, lembre
que sδ (0) = 0, assim J(0) = Jδ (0) = 0 e Jδ0 (0) = s0δ (0)w(0) = w(0), logo 0 = hJ, γ 0 i =
hγδ0 (0), w(0)i = hγδ0 (0), Jδ0 (0)i pois s0δ (0) = 1, finalmente, sendo w unitário temos
1 = |w(0)| = |Jδ0 (0)| = |J 0 (0)| .
Portanto, pelo Teorema 1.13
|Jδ (r)|2 ≤ |J(r)|2 ,
por outro lado, |Jδ (r)|2 = s2δ (r) e usando o Lema de Gauss |J(r)|2 =

r2
r2
2
2
|ṽ|
=
2
2 |v| , logo
|ṽ|
|ṽ|

s2δ (r) 2
|ṽ| ≤ |v|2 .
r2

(3.22)

Para o que segue, seja U o aberto de M̄ no qual está definida
exp−1
p0 : U → Tp0 M̄
u → (x1 (u), . . . , xn (u)).
Seja πi a projeção sobre a i-coordenada, então para v = d(expp0 )q (ṽ)
n
X

hgrad xi , vi hgrad xi , wi =

i=1

=
=

n
X
i=1
n
X
i=1
n
X

v(xi )w(xi )
d(expp0 )q (ṽ(xi ))d(expp0 )q (w̃(xi ))
ṽ(xi ◦ expp0 )w̃(xi ◦ expp0 )

i=1

=
=

n
X
i=1
n
X

−1
ṽ(πi ◦ exp−1
p0 ◦ expp0 )w̃(πi ◦ expp0 ◦ expp0 )

πi (ṽ)πi (w̃) = hṽ, w̃i.

i=1

60

(3.23)

Agora, se tomarmos v = w temos
n

s2δ (r) X
s2δ (r) 2
2
hgrad
x
,
vi
=
|ṽ| ≤ |v|2 ,
i
2
2
r i=1
r

(3.24)

observe que a desigualdade (3.24) vale se v ⊥ grad r.
Por outro lado, sabemos que se γ(t) = expp0 (tw̃), então
γ 0 (t) = d(expp0 )tw̃ (w̃) = grad r(γ(t))
pelo Teorema 2.3. Tomando w = grad r com v ⊥ grad r e usando o Lema de Gauss em
(3.23) temos que
n
X

hgrad xi , vi hgrad xi , grad ri = hṽ, w̃i

i=1

= hd(expp0 )tw̃ (ṽ), d(expp0 )tw̃ (w̃)i
= hv, grad ri = 0,
isto é,
n
X

hgrad xi , vi hgrad xi , grad ri = 0.

(3.25)

i=1

Em particular tomando v = w = grad r em (3.23) temos
n
X

hgrad xi , grad ri2 = hw̃, w̃i = 1,

(3.26)

i=1

onde d(expp0 )q (w̃) = grad r.
Como r(expp0 (v)) = |v|, então
2

r(u) =

exp−1
p0 (u)

=

n
X

2

xi (u)ei

=

i=1

n
X

x2i ,

i=1

portanto,
2

grad r =

n
X

grad x2i ⇒ 2rgrad r =

i=1

n
X

2xi grad xi

i=1

logo
rgrad r =

n
X
i=1

61

xi grad xi .

(3.27)

Agora seja
n
X


gradM

i=1

sδ (r)
xi
r

2
= I,

então
n
X
sδ (r)

 2 2
sδ (r)
gradM xi + xi gradM
I=
r
r2
i=1
"



 2#

n
X
s
(r)
s2δ (r)
s
(r)
s
(r)
δ
δ
δ
=
xi gradM xi , gradM
+ x2i gradM
|gradM xi |2 + 2
2
r
r
r
r
i=1
*
+


2

n
n
X
sδ (r)
s2δ (r)
sδ (r) X
sδ (r)
2
2
=
+ r gradM
|gradM xi | + 2
xi gradM xi , gradM
2
r
r
r
r
i=1
i=1
na segunda parcela da última igualdade, usando (3.27) obtemos,
I=

n
X
s2 (r)
δ

i=1

r2




2

sδ (r)
sδ (r)
2
.
|gradM xi | + 2sδ (r) gradM r, gradM
+ r gradM
r
r
2

Mas

gradM

sδ (r)
r



rgradM sδ (r) − sδ (r)gradM r
r2
rcδ (r)gradM r − sδ (r)gradM r
=
r2
rcδ (r) − sδ (r)
gradM r
=
r2
=

logo,
2 
2
sδ (r)
rcδ (r) − sδ (r)
gradM
=
|gradM r|2
r
r2
e



sδ (r)
rcδ (r) − sδ (r)
=
|gradM r|2 .
gradM r, gradM
2
r
r
Consequentemente


I=

n
X
s2 (r)
δ

i=1

r2

|gradM xi |2 +

Como
δ XT

2rsδ (r)cδ (r) − 2s2δ (r)
(rcδ (r) − sδ (r))2
2
|grad
r|
+
|gradM r|2 .
M
r2
r2
2

= δ |sδ (r)gradM r|2 = δs2δ (r) |gradM r|2 ,

fazendo,
n
X
i=1


gradM

sδ (r)
xi
r

2

62

+ δ XT

2

=J

vem que
J =

n
X
s2 (r)
δ

i=1

r2

2rsδ (r)cδ (r) − 2s2δ (r)
|gradM xi | +
|gradM r|2 +
r2
2



rcδ (r) − sδ (r)
r

2

|gradM r|2 +

+ δs2δ (r) |gradM r|2
"
#
2

n
2
s2δ (r) X
2rs
(r)c
(r)
−
2s
(r)
rc
(r)
−
s
(r)
δ
δ
δ
δ
δ
= 2
|gradM xi |2 +
+ δs2δ (r) |gradM r|2
+
r i=1
r2
r
n

s2 (r) X
= δ2
|gradM xi |2 +
r i=1


2rsδ (r)cδ (r) − 2s2δ (r) + r2 c2δ (r) − 2rcδ (r)sδ (r) + s2δ (r) + r2 δs2δ (r)
|gradM r|2 ,
+
2
r


n
2
2
2
sδ (r) X
r (cδ (r) + δs2δ (r)) − s2δ (r)
2
= 2
|gradM xi | +
|gradM r|2
2
r i=1
r


n
s2 (r) X
s2 (r)
= δ2
|gradM xi |2 + 1 − δ 2
|gradM r|2
r i=1
r
logo,


n
n
s2δ (r)
s2δ (r) X X
2
hgrad xi , ej i + 1 − 2
|gradM r|2
J = 2
r i=1 j=1
r


n
s2δ (r)
s2δ (r) X
∗ 2
(hgrad xi , λgrad ri + hgrad xi , µen i) + 1 − 2
≤n−1+ 2
|gradM r|2
r i=1
r
onde e1 , . . . , en ∈ Tp M é uma base ortonormal tal que en = λgrad r + µe∗n está na direção do
gradM r com hgrad r, e∗n i = 0, consequentemente λ2 + µ2 = 1 e hen , grad ri = λ, e a primeira
parcela da desigualdade acima é devida a (3.24), pois como ei ⊥ en para todo i = 1, . . . , n−1
e en está na direção de gradM r segue que ei ⊥ grad r para todo i = 1, . . . , n − 1.
Como
en =

gradM r
|gradM r|

temos
hgradM r, grad ri = λ|gradM r|
mas
hgradM r, grad ri = hgradM r, gradM r + (grad r)⊥ i = |gradM r|2
63

assim
|gradM r| = λ ⇒ |gradM r|2 = λ2 .
Portanto,


n
s2δ (r) X
s2δ (r)
∗ 2
J ≤n−1+ 2
(hgrad xi , λgrad ri + hgrad xi , µen i) + 1 − 2
λ2
r i=1
r
n

s2 (r) X 2
[λ hgrad xi , grad ri2 + 2λµhgrad xi , grad rihgrad xi , e∗n i+
=n−1+ δ 2
r i=1


s2δ (r)
2
∗ 2
+ µ hgrad xi , en i ] + 1 − 2
λ2
r
como e∗n é ortogonal ao grad r, então por (3.25)
hgrad xi , grad rihgrad xi , e∗n i = 0
s2 (r)

e usando (3.26) na primeira parcela do somatório obtemos λ2 δr2 ; usando (3.24), a última
parcela do somatório é menor ou igual a µ2 . Portanto,


2
s2δ (r)
2
2 sδ (r)
+µ + 1− 2
J ≤n−1+λ
λ2 = n.
r2
r

Lema 3.8 Se δ ≤ 0, então
Z

Z

Z
s δ cδ ≤

sδ
M

s2δ

Z

M

M

cδ .
M

Demonstração. Primeiro observamos que de c2δ = 1 − δs2δ , temos que
Z
Z
Z
Z
2
2
2
sδ
cδ =
sδ
(1 − δs2δ )
M
M
M
M
2
Z
Z
2
2
= volM
sδ − δ
sδ ,
M

(3.28)

M

e pela desigualdade de Cauchy-Schwarz
Z  21 Z
 12
Z
2
sδ ⩽
1
sδ
M

M

M

logo
2

Z
sδ

Z
⩽ volM

M

M

64

s2δ .

(3.29)

Agora,
Z

2

Z
sδ

M

s δ cδ

2 Z

Z
=

2

sδ

M

s δ cδ

M

M

2 Z

Z

2
|sδ cδ |

sδ

⩽
M

M

2 Z

Z

Z

sδ
c2δ
M
M
M
2 Z
2
2 Z
Z
Z
2
2
sδ
sδ − δ
sδ
sδ
= volM
M
M
M
M

Z
 ! Z
Z
Z

≤

s2δ

2

s2δ

≤

2

2

(volM ) − δ

sδ

≤

M

M

s2δ

M

2
cδ

.

M

Observe que na segunda igualdade usamos (3.28) e na terceira
desigualdade
usamos (3.29),
R
R
enquanto a última desigualdade é uma consequência de M f ≤ M |f |, onde f : M → R2 é
p
dada por f (p) = (1, |δ|sδ (r)). De fato,
Z
p
p Z
(1, |δ|sδ (r)) = (volM, |δ|
sδ (r))
M
M
s
2
Z
= (volM )2 + |δ|
sδ (r)
M
s
2
Z
= (volM )2 − δ
sδ (r)
M
Z q
⩽
1 + |δ| s2δ (r)
Z
ZM q
2
1 − δsδ (r) =
cδ (r)
=
M

M

logo,
2

2 Z
2
sδ (r) ⩽
cδ (r) .

Z

(volM ) − δ
M

M

Agora, depois dessa preparação iniciamos com as provas dos Teoremas 3.4 e 3.8:
Demonstração. Se δ = 0, então cδ = 1 e o Lema 3.7 se reduz a
n
X

s2 (r)
gradM δ xi
r
i=1
65

2

≤ n.

Usando (3.13) temos,
Z
λ1 (M )
M

Z X
n

2

s2 (r)
gradM δ xi
r
M
Z
Z i=1
n = n volM = n
cδ
≤

s2δ (r) ≤

M

M

pelo Lema 3.5
Z

Z
Z
n
≤n
Hsδ =
cδ
Hsδ
volM M
M
M
Z
2
n
≤
Hsδ
volM
M
Z
Z
n
2
≤
H
s2δ ,
volM M
M
onde a última desigualdade é devida a Cauchy-Schwarz . Portanto,
Z
n
λ1 (M ) ≤
H 2.
volM M
R
1
√
Se δ > 0 usaremos sδr(r) xi e cδ (r)−c
,
com
c
:=
c (r), como funções teste. Então,
volM M δ
δ
2
2
T 2
usando que |gradM cδ (r)| = δ |X | , ( 3.13) e ( 3.14), temos
 Z X
Z
Z 
n
2
sδ (r)
1
(cδ (r) − c)2
2
gradM
xi +
|gradM cδ (r)|2
λ1 (M )
≤
sδ (r) +
δ
r
δ
M
M
M i=1
pelo Lema 3.7
Z
≤

T 2

Z

(n − δ|X | ) +
M

δ|X T |2 = n volM.

M

Agora observe que
 Z
Z 
δs2δ (r) + c2δ (r) − 2cδ (r)c + c2
(cδ (r) − c)2
2
sδ (r) +
=
δ
δ
M
ZM
1 − 2cδ (r)c + c2
=
δ
ZM
Z
2
1+c
2c
=
−
cδ (r)
δ
δ M
M
1 + c2
2c2
=
volM −
volM
δ
δ
1 − c2
=
volM.
δ
66

Portanto,
λ1 (M )(1 − c2 ) ≤ nδ.
Agora


1
(1 − c ) 1 +
δvolM
2

Z
H

2



M

Z
c2
H −c −
H2
δvolM M
M
Z
2
Z
1
1
2
=1+
cδ −
H −
δvolM M
(volM )2
M
Z
2 Z
1
cδ
H2
−
δ(volM )3
M
M
1
=1+
δvolM

Z

1
≥1+
δvolM

Z

2

2

pelo Lema 3.5
1
H −
(volM )2
M
2 Z
Z
1
cδ
H2
−
δ(volM )3
M
M
2

2

Z
Hsδ

−

M

(3.30)

por Cauchy-Schwarz

(1 − c ) 1 +
2

1
δvolM

Z

Z



H

2



M

Z
Z
Z
1
1
2
2
H −
H
s2δ −
≥1+
δvolM M
(volM )2 M
M
Z
Z
1
−
c2
H 2,
(3.31)
δ(volM )2 M δ M

logo


1
(1 − c ) 1 +
δvolM
2

Portanto

H
M

2




Z
Z
1
1
1
2
2
H
≥1+
−
s −
c
δvolM
(volM )2 M δ δ(volM )2 M δ
M


Z
Z
1
1
2
2
2
=1+
H
−
(δs + cδ )
δvolM
δ(volM )2 M δ
M


Z
1
1
2
=1+
H
−
volM ) = 1.
δvolM
δ(volM )2
M


λ1 (M ) ≤ nδ 1 +

Z

1
δvolM

2

Z
H
M

2



n
= nδ +
volM

Z

H 2.

M

Se vale a igualdade, então na demonstração acima todas as desigualdades se tornam
igualdades, em particular, a igualdade em (3.30) implica igualdade no Lema 3.5 e por
→
−
Cauchy-Schwarz temos que X = sδ grad r é múltiplo de H , o vetor curvatura média de M
em M̄ , isso implica que gradM r = 0.
67

Agora seja f : M → R definida por f (x) = 12 r(x)2 , então para Y ∈ X (M ) temos


1 2
Yf =Y
r
2
1
= . 2. r. Y (r)
2
equivalentemente
hgradM f, Y i = rhgradM r, Y i
assim
gradM f = rgradM r = 0
logo, f é constante em M , e isso significa que M está contida em uma esfera. Agora, seja
S a esfera de M̄ tal que M ⊂ S. Sejam α a segunda forma fundamental de M em M̄ , αS
a segunda forma fundamental de M em S e ᾱ a segunda forma fundamental de S em M̄ .
Analogamente como feito para obter (3.11) obtemos que
α = αS + ᾱ
e observe que αS ∈ T S e ᾱ ∈ T S⊥ , consequentemente, se e1 , . . . , en ∈ Tp M é uma base
ortonormal, então
→
−
→
−
η = HS + H,

(3.32)
n

X
→
−
→
−
→
−
onde H S é o vetor curvatura média de M em S e H =
ᾱ(ei , ei ), e é claro que H S ∈ T S
i=1

→
−
→
−
e H ∈ T S⊥ . No entanto, sendo H múltiplo de X = sδ (r)grad r que é ortogonal a T S segue
que η ≡ 0 e, portanto M é mı́nima em S.
Agora se δ < 0, observamos primeiro que de c2δ + δs2δ = 1, obtemos
Z
Z
2
δ
sδ = volM −
c2δ .
M

M

Novamente, usando ( 3.13) temos
Z
Z X
n
2
s2 (r)
2
λ1 (M )
sδ (r) ≤
gradM δ xi
r
M
M i=1
pelo Lema 3.7
Z
≤

T 2

Z

(n − δ|X | ) = n volM − δ
M

M

68

|X T |2

pelo Lema 3.6
Z

Z

c2δ + n

Hsδ cδ
≤ n volM − n
M
M


Z
Z
2
cδ + n
Hsδ cδ
= n volM −
M
M
Z
Z
2
= nδ
sδ + n
Hsδ cδ
M
M
Z
Z
2
s δ cδ
≤ nδ
sδ + n max H
M

M

pelo Lema 3.8
R
cδ
s2δ + n max H
≤ nδ
s2δ × RM
s
M
M
M δ
Z

Z

pelo Lema 3.5
Z
≤ nδ
ZM
≤ nδ
ZM
= nδ

s2δ + n max H

Z

s2δ ×

M

s2δ + n(max H)2

Z

s2δ

Z M
s2δ + n max H 2
s2δ .

M

M

Portanto,
λ1 (M ) ≤ nδ + n max H 2 ,
e assim fica provado o resultado.

69

R
Hsδ
RM
s
M δ

Referências Bibliográficas
[1] Bleecker, D., Weiner, L.: Extrinsic bounds on λ1 of ∆ on a compact manifold. Comment.
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