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A desigualdade de Michael e Simon em subvariedades do espaço euclidiano_Ranilze.pdf
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                    UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
INSTITUTO DE MATEMÁTICA
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM MATEMÁTICA
DISSERTAÇÃO DE MESTRADO

A DESIGUALDADE DE MICHAEL E SIMON EM SUBVARIEDADES DO
ESPAÇO EUCLIDIANO

MARIA RANILZE DA SILVA

Maceió
Maio de 2017

MARIA RANILZE DA SILVA

A DESIGUALDADE DE MICHAEL E SIMON EM SUBVARIEDADES DO
ESPAÇO EUCLIDIANO

Dissertação de Mestrado na área de Geometria Diferencial, submetida à banca examinadora, designada pelo Programa de Mestrado
em Matemática da Universidade Federal de Alagoas, como parte dos requisitos necessários à obtenção do grau de Mestra em Matemática.

Orientador:
Prof. Dr. Feliciano Marcı́lio Aguiar Vitório

Maceió
2017

Catalogação na fonte
Universidade Federal de Alagoas
Biblioteca Central
Divisão de Tratamento Técnico
Bibliotecária responsável: Helena Cristina Pimentel do Vale
S586d Silva, Maria Ranilze da.
A desigualdade de Michael e Simon em subvariedades do espaço
euclidiano / Maria Ranilze da Silva. - 2017.
41 f.
Orientador: Feliciano Marcílio Aguiar vitório.
Dissertação (mestrado em Matemática) - Universidade Federal de
Alagoas. Instituto de Matemática. Maceió, 2017.
Bibliografia: f. 41
1 Matemática - Estudo e ensino. 2. Desigualdade de Sobolev. 3. Funções
(Matemática) - Subharmônicas. 4. Subvariedades euclidianas. I. Título.
CDU: 514.76

A Deus
e a meus pais.

Agradecimentos
Agradeço primeiramente a Deus por mais essa conquista!
Aos meus irmãos Ranilson, pela forte frase que me disse num momento que eu precisava
muito, e Ranilton, por se orgulhar das minhas conquistas. Aos meus pais pelo apoio. Amo
vocês!
Ao meu orientador, Prof. Feliciano Vitório, pela dedicação e paciência e, acima de tudo,
por enxergar que eu poderia ir além e me dar a honra de trabalhar com ele.
A Karenn Melo por me ouvir sempre que precisava desabafar sobre as dificuldades do
curso e pelas palavras de encorajamento. A Ana Maria e Ewerton Roosevelt, secretários da
pós-graduação, pela atenção e conselhos dados durante o curso.
Ao Leon Lima que foi como um irmão, esteve presente em todos os momentos do curso,
tanto bons como ruins, um amigo que o mestrado me deu e vou levar pra vida toda!
Aos professores, em especial ao Prof. Isnaldo, e aos colegas Myrla, Robson, Iury, entre
outros, que se colocaram à disposição e tiveram paciência em tirar minhas dúvidas.
A todos os amigos da graduação, mestrado e doutorado que nos primeiros momentos
do mestrado tiveram a preocupação em demonstrar que estavam felizes comigo, me fazendo
acreditar que não estava sozinha; e aos que estiveram dando apoio até o último momento do
curso.
Aos avaliadores, Prof. Jorge Lira e Prof. Carlos Gonçalves que separaram um pouco do
seu tempo para dividir comigo esse momento tão importante e pelas sugestões dadas.
A CAPES pelo apoio financeiro durante todo o mestrado.
Às vezes as palavras não conseguem expressar quão grata sou a todos que, direta ou
indiretamente, contribuı́ram para a realização deste sonho, mas saibam que levarei para
sempre essa gratidão em meu peito! Obrigada!

“Agrada-te do Senhor, e ele satisfará os desejos do teu coração”.
(Salmos 37:4)

Resumo
Neste trabalho apresentaremos uma desigualdade geral de Sobolev. Estabelecida por
Michael e Simon, essa desigualdade é obtida em subvariedades generalizadas do espaço euclidiano. Um caso especial desse resultado é a desigualdade clássica de Sobolev. Provaremos
também uma desigualdade do valor médio para funções subharmônicas.
Palavras chave: Subvariedades; desigualdade de Sobolev; funções subharmônicas.

Abstract

In this work we will prove a general Sobolev inequality. Established for Michael and
Simon, this inequality is obtained on the generalized manifolds of the euclidian space. A
special case of the result is the ordinary Sobolev inequality. We proved too a mean-value
inequality for subharmonic functions.
Keywords: Submanifolds; Sobolev inequality; subharmonic functions.

Sumário

Introdução

p. 11

1 Preliminares

p. 12

1.1

Tensor Métrico e Gradiente Tangencial . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

p. 12

1.2

Área da superfı́cie de uma subvariedade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

p. 16

1.3

Curvatura . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

p. 17

1.3.1

Vetor tangente e vetor curvatura de uma curva . . . . . . . . . . . .

p. 17

1.3.2

Segunda forma fundamental, curvatura normal e curvatura média .

p. 18

2 Desigualdades de Michael e Simon

p. 22

2.1

A desigualdade de Sobolev em subvariedades do Rn . . . . . . . . . . . . .

p. 22

2.2

Uma Desigualdade do Valor Médio para Funções Subharmônicas . . . . . .

p. 33

Referências

p. 41

11

Introdução
As desigualdades de Sobolev desempenham um papel muito importante na teoria das
Equações Diferenciais Parciais. Sua forma clássica afirma que
“Dados 1 ≤ p < n e p∗ tais que p∗ =
Z

p∗

np
, existe uma constante C = Cn (p) tal que
n−p

|ϕ| dσ

 1∗

Z

p

≤C

p

1/p

|∇ϕ| dσ

para toda função ϕ ∈ C 1 (Rn ) com suporte compacto.”

Em 1967, Miranda (em [6]) obteve uma desigualdade de Sobolev para gráficos mı́nimos.
No primeiro capı́tulo introduzimos alguns conceitos de geometria diferencial, mais especificamente de subvariedades do Rn , que serão utilizados no desenvolvimento deste trabalho.
No segundo capı́tulo deste trabalho apresentaremos, no teorema 2.1.1, uma desigualdade
geral de Sobolev estabelecida por Michael e Simon, essa desigualdade é obtida em subvariedades generalizadas do espaço euclidiano. Um caso especial desse resultado é a desigualdade
clássica de Sobolev.
Inspirados nesse resultado, Hoffman e Spruck em [3] provaram uma desigualdade de Sobolev e uma desigualdade isoperimétrica para subvariedades M de uma variedade riemanniana
M satisfazendo restrições geométricas envolvendo o volume de M e a curvatura seccional e o
raio de injetividade de M . Simon em [7] discute a aplicação da desigualdade geral de Sobolev
(em subvariedades do espaço euclidiano) para o problema de estimativas do gradiente limitado
para equações elı́pticas quase-lineares. Em [4], Medeiros prova uma desigualdade de Michael
e Simon em variedades ponderadas, isto é, em variedades da forma Mf = (M, g, dvf ), onde
(M, g) é uma variedade riemanniana, f : M → R é uma função suave em M , e dvf = e−f dv
é a medida ponderada, onde dv denota a medida riemanniana em (M, g).
Concluı́mos o segundo capı́tulo com a discussão de uma desigualdade do valor médio para
funções fracamente sub-harmônicas descrita no teorema 2.2.1.

12

1

Preliminares

Neste capı́tulo veremos alguns fatos da geometria diferencial, mais especificamente sobre subvariedades do Rn , que são requisitos necessários para a compreensão do resultado
principal.

1.1

Tensor Métrico e Gradiente Tangencial

Definição 1.1.1 Seja n ≥ m ≥ 1. Um conjunto M ⊂ Rn é uma subvariedade m−dimensional
de classe C 2 de Rn se dado um ponto x0 ∈ M existem conjuntos abertos D ⊂ Rm , Ω ⊂ Rm
e uma aplicação C 2

x:

D −→ Ω
t = (t1 , ..., tm ) 7−→ x(t) = (x1 (t), ..., xn (t))

tal que
x0 ∈ Ω ∩ M = x(D),
∂x
(t), i = 1, ..., m, são linearmente independentes para cada t ∈ D.
∂ti
A aplicação x é chamada uma parametrização de M em x0 e o espaço vetorial gerado por
∂x
(t), i = 1, ..., m, onde x(t0 ) = x0 , é chamado o espaço tangente Tx0 M de M em x0 .
∂ti
e tal que os vetores

Definição 1.1.2 Seja n ≥ m ≥ 1. Dada uma subvariedade m−dimensional M ⊂ Rn de
classe C 2 , a primeira forma fundamental ou tensor métrico de M é a função de valores na
matriz (gij )i,j=1,...,m definida para t ∈ D por
n
∂x(t) ∂x(t) X ∂xk (t) ∂xk (t)
gij (t) =
·
=
·
.
∂ti
∂tj
∂ti
∂tj
k=1

13

É fácil ver que dado x0 = x(t0 ) ∈ M a relação
g(v, w) =

m
X

gij (t0 )vi wj ,

(1.1)

i,j=1
m
X
∂x
∂x
(t0 ) e w =
(t0 ) são dois vetores arbitrários de Tx0 M, define um
wj
∂t
∂t
i
j
j=1
i=1
produto interno. Além disso, g não depende da parametrização x. Usando um abuso de

onde v =

m
X

vi

notação, também escreveremos g = det(gij ), enquanto (g ij ) = (gij )−1 denota a matriz inversa
de (gij ).
Graças a métrica g, podemos facilmente calcular a projeção ortogonal (com respeito ao
produto interno usual) de um vetor em Rn no espaço tangente Tx0 M .
Proposição 1.1.1 Seja n ≥ m ≥ 1. Dada uma subvariedade m−dimensional M ⊂ Rn de
e 0 ) = (g̃ ij (x0 ))i,j=1,...,n definida por
classe C 2 e um ponto x0 = x(t0 ) ∈ M, a matriz G(x
ij

g̃ (x0 ) =

m
X

g rs (t0 )

r,s=1

∂xi (t0 ) ∂xj (t0 )
·
∂tr
∂ts

representa a projeção ortogonal em Tx0 M na base canônica de Rn , isto é,

v,
∀v ∈ Tx0 M,
e
G(x0 ).v =
0,
∀v ∈ (T M )⊥ .
x0

Em particular, ∀x ∈ M ,
n
X

g̃ ii (x) = m,

i=1

0≤

n
X

g̃ ij (x)vi vj ≤ |v|2 ,

∀v = (v1 , ..., vn ) ∈ Rn

g̃ ij (x) = g̃ ji (x),

∀i, j = 1, ..., n.

i,j=1

Demonstração. Para todo v ∈ Tx0 M, temos que v =

n
X
i=1

e 0 ).v =
G(x

n
X
i=1

vi

∂x
.
∂ti

vi

∂x
. Assim,
∂ti
(1.2)

14

Fazendo o produto interno com


e 0 )v, ∂x
G(x
∂ts


=

∂x
, obtemos
∂ts

* m
X

∂x ∂x
vi ,
∂ti ∂ts
i=1

+





=

m
X


vi

i=1

∂x ∂x
,
∂ti ∂ts


=

m
X

vi gis .

i=1

Multiplicando por g rs , obtemos
g

rs

e 0 )v, ∂x
G(x
∂ts

=

n
X

vi gis g rs .

i=1

Somando em s,
m
X


 X
m
n
X
∂x
rs
e
G(x0 )v,
g
=
vi gis g =
vi δir = vr .
∂ts
s=1
i,s=1
i=1
rs

Substituindo em (1.2), teremos

!
∂x
∂x
e 0 ).v =
e 0 )v,
G(x
g
G(x
∂ts
∂tr
r=1
s=1


m
X
∂x ∂x
g rs v,
=
∂ts ∂tr
r,s=1

 n
m
X
∂x X ∂xi
rs
g
=
v,
· ei .
∂t
∂t
s
r
r,s=1
i=1
m
m
X
X

rs

Assim, na base canônica do Rn , temos
e 0 ).ej =
G(x

n X
m
X

g

rs



i=1 r,s=1

∂x
ej ,
∂ts



n X
m
X
∂xi
∂xj ∂xi
· ei =
g rs
· ei .
∂tr
∂t
∂t
s
r
i=1 r,s=1

e 0 ) é representada por
Portanto, na base canônica do Rn , a matriz G(x
ij

g̃ (x0 ) =

m
X

g rs (t0 )

r,s=1

∂xj (t0 ) ∂xi (t0 )
·
.
∂ts
∂tr

Em particular, temos
n
X

n X
m
X

m
n
X
X
∂xi (t) ∂xi (t)
∂xi (t) ∂xi (t)
rs
g (t)
g̃ (x) =
·
=
g (t)
·
∂ts
∂tr
∂ts
∂tr
r,s=1
i=1
i=1 r,s=1
i=1
ii

=

m
X
r,s=1

rs

rs

g (t).gsr (t) =

m
X
r,s=1

δrs =

m
X
r=1

δrr = m.

(1.3)

15

Observe que

Pn

i,j=1 g̃

0≤

ij

e 0 ).v com v, assim
(x)vi vj é o produto interno de G(x

n
X

e 0 ).v, vi ≤ |G(x
e 0 ).v||v| ≤ |v||v| = |v|2 .
g̃ ij (x)vi vj = hG(x

i,j=1

Agora, usando a matriz de projeção, podemos definir o gradiente tangencial como a
projeção do gradiente sobre o espaço tangente.
Proposição 1.1.2 Seja n ≥ m ≥ 1. Dados uma subvariedade m−dimensional M ⊂ Rn de
classe C 2 , um ponto x0 = x(t0 ) ∈ M, um conjunto aberto Ω ⊂ Rn , com x0 ∈ Ω, e uma função
ϕ ∈ C 1 (Ω, R). O gradiente tangencial de ϕ em x0 é definido como a projeção ortogonal de
∇ϕ em Tx0 M. E, temos
e 0 ).∇ϕ(x0 ) =
∇T ϕ(x0 ) := G(x

!
∂ϕ
∂x
g rs (t0 ) (t0 )
(t0 ).
∂t
∂t
s
r
s=1

m
m
X
X
r=1

Demonstração. Sabemos que o gradiente pode ser escrito como ∇ϕ(x0 ) =
onde {ei }i=1,...,n é a base canônica de Rn . Assim, por (1.3),
e 0 ).∇ϕ(x0 ) = G(x
e 0) ·
∇T ϕ(x0 ) = G(x

n
X
∂ϕ
k=1

=
=
=
=

n
X
∂ϕ

∂xk
k=1
n
X
∂ϕ

(x0 )

n X
m
X

g rs

i=1 r,s=1

g rs

k,i=1 r,s=1
m
X
rs ∂ϕ
r,s=1

(x0 )ek

e 0 )ek
(x0 ).G(x

∂xk
k=1
n X
m
X

g

∂xk

!

∂ts

∂xk
∂xi
(t0 )
(t0 ) · ei
∂ts
∂tr

∂ϕ
∂xk
∂xi
(x0 )
(t0 )
(t0 ) · ei
∂xk
∂ts
∂tr

(t0 )

∂x
(t0 ).
∂tr

n
X
∂ϕ

∂xk
k=1

(x0 )ek ,

16

1.2

Área da superfı́cie de uma subvariedade

Seja x : D ⊂ Rm −→ Ω uma parametrização de uma subvariedade m−dimensional
M ⊂ Rn de classe C 2 . Dado um subdomı́nio ω ⊂⊂ D suavemente limitado, a imagem de ω
em M tem área m-dimensional igual a
Z

Z
dσ =

x(ω)

√

g dt1 ...dtm .

ω

Usando a partição da unidade, podemos usar a fórmula acima para calcular a integral
sobre M de uma função que é contı́nua em uma vizinhança de M.
A seguinte propriedade elementar do elemento de área será útil na sequência.
Lema 1.2.1 Seja 1 ≤ m ≤ n. Seja M uma subvariedade m−dimensional de classe C 2 do
√
espaço euclidiano Rn e denote por dσ = g dt1 ...dtm o elemento de volume. Seja ωm a
medida de Lebesgue da bola unitária em Rm . Então, para todo x0 ∈ M ,
lim+

ρ→0

σ(Sρ (x0 ))
= ωm
ρm

onde
Sρ (x0 ) = {x ∈ M : |x − x0 | ≤ ρ}.
Demonstração. Seja x uma parametrização de M em x0 = x(t0 ). Pela fórmula de
Taylor,
x(t) = x0 +

m
X

(t − t0 )i

i=1

∂x
(t0 ) + o(|t − t0 |).
∂ti

(1.4)

Suponhamos, sem perda de generalidade, que a base canônica de Rm é ortonormal para o
produto interno g(t0 ), isto é, existem λ1 , ..., λm > 0 tais que gij (t0 ) = λi δij . Assim, usando
(1.4), obtemos
2

|x − x0 |

=
=
=

m
X

(t − t0 )i

i,j=1
m
X
i,j=1
m
X

∂x
∂x
(t0 )(t − t0 )j
(t0 ) + o(|t − t0 |2 )
∂ti
∂tj

gij (t0 )(t − t0 )i (t − t0 )j + o(|t − t0 |2 )

λi (t − t0 )2i + o(|t − t0 |2 ).

i=1

17

Agora, dado ε > 0, deduzimos que para ρ suficientemente pequeno, temos
(
)
m
X
t ∈ Rm :
λi (t − t0 )2i ≤ (1 − ε)ρ2
⊂ x−1 (Sρ (x0 ))
i=1
(
)
m
X
⊂
t ∈ Rm :
λi (t − t0 )2i ≤ (1 + ε)ρ2 .
i=1

√

Assim, usando a mudança de variáveis si =

σ(Sρ (x0 ))
=
lim+
ρ→0
ρm

R
Sρ (x0 )
ρm

lim+

ρ→0

R
=

{t :

lim

Pm

2
2
i=1 λi (t−t0 )i ≤ρ }

ρm
{t :

lim

ρ→0+

R
=

dσ

ρ→0+

R
=

λi (t − t0 )i , i = 1, ..., m, obtemos

lim

Pm

2
2
i=1 λi (t−t0 )i ≤ρ }

√
g dt1 ...dtm
√
λ1 ...λm dt1 ...dtm

ρm
P
ds1 ...dsm
{s : m s2 ≤ρ2 }
i=1 i

ρm

ρ→0+

= ωm .

1.3

Curvatura

1.3.1

Vetor tangente e vetor curvatura de uma curva

Uma curva regular em uma subvariedade M é uma aplicação x : I = (α, β) → M de
0

classe C 1 tal que |x (τ )| > 0, ∀ τ ∈ I. Denote por t1 (τ ), ..., tm (τ ) as coordenadas de x(τ ) em
alguma parametrização de M. Então,
0

|x (τ )|2 =

m
X

0

i,j=1

e o comprimento da curva x(τ ) é dado por
Z β

0

|x (τ )| dτ.

L=
α

0

gij ti (τ )tj (τ )

18

Agora, seja s(τ ) =

Rτ
α

0

|x (τ )| dτ . Então, sendo a curva x(τ ) regular, a aplicação s : (α, β) →

(0, L) é invertı́vel. s é chamado o parâmetro de comprimento de arco e a aplicação

(0, L) → Rn
s
7→ x(τ (s)),
onde τ (s) é a aplicação inversa de s(τ ), a parametrização da curva pelo comprimento de arco.
O vetor tangente unitário da curva é dado por
T =

dx
x0 (τ )
= 0
ds
s (τ )

e o vetor curvatura

d2 x
dT
= 2.
ds
ds
dT
2
Note que |T | = 1 ⇒ T · ds = 0, isto é, o vetor tangente unitário é ortogonal ao vetor
K=

curvatura.

1.3.2

Segunda forma fundamental, curvatura normal e curvatura
média

Dados uma subvariedade M e um ponto x0 ∈ M , o complemento ortogonal do espaço
tangente Nx0 (M ) = (Tx0 (M ))⊥ é chamado o Espaço Normal de M em x0 .
Dada uma curva regular x(s) parametrizada pelo comprimento de arco, os vetores tangente e curvatura podem ser escritos nas coordenadas de uma parametrização na forma:
m
dx X dti ∂x
=
ds
ds ∂ti
i=1

e

m
m
d2 x X d2 ti ∂x X dti dtj ∂ 2 x
=
+
.
ds2
ds2 ∂ti i,j=1 ds ds ∂ti ∂tj
i=1

Tomando um vetor normal N ∈ Nx0 M , obtemos

m 
X
d2 x
∂ 2x
dti dtj
·
N
=
·
N
,
ds2
∂ti ∂tj
ds ds
i,j=1
que pode ser visto como uma forma quadrática agindo sobre o vetor T = dx
, essa forma
ds

19

quadrática é chamada a segunda forma fundamental de M com respeito ao vetor normal N e
 
∂x
é representada na base ∂t
de Tx0 M pela matriz
i
∂ 2x
· N.
Bij = Bij (N ) =
∂ti ∂tj
Essa matriz também pode ser expressa como
Bij = −

∂N
· τj ,
∂τi

∂x
onde τi = ∂t
. De fato,
i

n
n
n
n
X
X
∂Nk ∂xk X
∂xk
∂Nk ∂xl ∂xk X ∂Nk ∂xk
∂N ∂x
∂N
· τj =
=
(∇Nk · τi )
=
=
=
·
,
∂τi
∂τ
∂t
∂x
∂t
∂t
∂t
i ∂tj
j
l ∂ti ∂tj
i ∂tj
i
j
k=1
k=1
k,l=1
k=1

enquanto

0=

∂
∂N ∂x
∂ 2x
∂N ∂x
(N · τj ) =
·
+N ·
=
·
+ Bij ,
∂ti
∂ti ∂tj
∂tj ∂ti
∂ti ∂tj

pois N.τj = 0, o que implica que
Bij = −

∂N ∂x
∂N
·
=−
· τj .
∂ti ∂tj
∂τi

Sendo T = dx/ds, a segunda forma fundamental calculada em T, isto é,
k(N, T ) =

d2 x
·N
ds2

é chamada a curvatura normal de M na direção de T com respeito a N.
Tome uma base ortonormal de Tx0 M e seja (Bij ) a matriz da segunda forma fundamental
nesta base. Então, os autovalores ki = ki (N ), i = 1, ..., m de (Bij ) são chamados as curvaturas
principais de M com respeito ao normal N. A média aritmética deles
H(N ) =

k1 (N ) + · · · + km (N )
m

é a curvatura média de M com respeito a N. Como H(N ) é linear em N, existe um único

20

vetor H ∈ Nx0 M tal que
H(N ) = H · N.
H é chamado vetor curvatura média.
Observação 1.3.1 Não havendo problemas de confusão usaremos simplesmente ∇ϕ para
representar o gradiente tangencial de ϕ.
Proposição 1.3.1 Seja x : D ⊂ Rm −→ Ω uma parametrização de uma subvariedade
m−dimensional M ⊂ Rn de classe C 2 . Então, o vetor curvatura média de M satisfaz
H = ∆M x.
Demonstração. Vamos mostrar a igualdade nas coordenadas. Dado um campo X ∈ χ(M ),
temos que Xxi = Xhx, ei i = hX, ei i = hX, eTi i, daı́ ∇xi = eTi . Assim,
∆M xi = divM ∇xi = divM eTi
X
X
=
h∇vj eTi , vj i =
hDvj eTi , vj i
j

j

X
X
=
hDvj (ei − e⊥
hDvj e⊥
i ), vj i = −
i , vj i
j

j

X
⊥
= −
(vj he⊥
i , vj i − hei , Dvj vj i)
j

X
X
he⊥
=
he⊥
i , Dvj vj i =
i , ∇vj vj + α(vj , vj )i
j

j

X
⊥
=
he⊥
i , α(vj , vj )i = hei , Hi = hei , Hi = Hi
j

Como consequência imediata da proposição 1.3.1, obtemos o seguinte lema:
Lema 1.3.1 Seja 1 ≤ m ≤ n. Seja x : D ⊂ Rm −→ Ω uma parametrização de uma
subvariedade m−dimensional M ⊂ Rn de classe C 2 . Então, para toda ϕ ∈ Cc1 (Ω), temos
Z
(∇ϕ + Hϕ) dσ = 0.
M

21

Demonstração. Pela Proposição anterior, temos Hi = divM eTi . Multiplicando por ϕ e
integrando, obtemos
Z
Z
Z
Z
T
T
h∇ϕ, eTi i dσ
divM (ϕei ) dσ −
Hi ϕ dσ =
ϕdivM ei dσ =
M
M
ZM
ZM
T
T
hϕei , νi dσ −
h∇ϕ, ei i dσ
=
∂M
M Z
Z
h∇ϕ, ei i dσ
= −
h∇ϕ, eTi i dσ = −
M

M

22

2

Desigualdades de Michael e
Simon

Nesta capı́tulo apresentaremos a desigualdade de Sobolev em subvariedades do Rn e uma
desigualdade do valor médio para funções subharmônicas.

2.1

A desigualdade de Sobolev em subvariedades do Rn

O Teorema a seguir é o resultado principal deste trabalho.
Teorema 2.1.1 (Michael e Simon) Seja 1 ≤ m ≤ n. Sejam x : D ⊂ Rm −→ Ω uma
parametrização de uma subvariedade m−dimensional M ⊂ Rn de classe C 2 e U um conjunto
aberto contido em M. Para todo p ∈ [1, m), existe uma constante C = C(m, p) > 0 tal que
para todo ϕ ∈ Cc1 (U ),
Z

p∗

 p1∗

|ϕ| dσ

"Z

M

onde

|∇ϕ|p dσ

≤C
M

1/p

Z
+

|Hϕ|p dσ

1/p #
,

(2.1)

M

1
1
1
= − , H é a curvatura média de M e ∇ϕ é o gradiente tangencial.
∗
p
p m

Para demonstrar esse teorema usaremos os lemas a seguir.
Lema 2.1.1 Suponha que λ ∈ C 1 (R) é uma função não-decrescente tal que λ(t) = 0 para
t ≤ 0. Seja ϕ ∈ Cc1 (U ), ϕ ≥ 0. Seja x0 ∈ M , defina ϕx0 , ψx0 ∈ C 1 (0, +∞) por
Z
ϕx0 (ρ) =
ϕ(x)λ(ρ − r) dσ(x)
M

e
Z
[|∇T ϕ(x)| + |H|ϕ(x)]λ(ρ − r) dσ(x),

ψx0 (ρ) =
M

23

onde r = |x − x0 |. Então,
d
−
dρ



ϕx0 (ρ)
ρm


≤

ψx0 (ρ)
,
ρm

para todo ρ > 0.

Demonstração. Observe que no lema 1.3.1, temos a igualdade em cada coordenada,
assim tomando a função
ψ = (x − x0 )i λ(ρ − r)ϕ,
temos
Z

Z
δi [(x − x0 )i λ(ρ − r)ϕ] dσ = −

M

Hi (x − x0 )i λ(ρ − r)ϕ dσ,
M

onde δi , Hi são as componentes de ∇, H na base canônica de Rn . Somando em i, ficamos
com

Z X
n

Z
λ(ρ − r)ϕ

δi [(x − x0 )i λ(ρ − r)ϕ] dσ = −
M

M i=1

n
X

Hi (x − x0 )i dσ.

i=1

Agora, precisamos encontrar a i-ésima coordenada de ∇ψ. Temos
0

∇ψ = λ(ρ − r)ϕ∇(x − x0 )i + (x − x0 )i ϕλ (ρ − r)∇(ρ − r) + (x − x0 )i λ(ρ − r)∇ϕ.
Pela proposição 1.1.2, temos

∇(x − x0 )i =
=

m
X

g rs

r,s=1
n X
m
X

∂
∂x
(x − x0 )i
∂ts
∂tr
g

i=1 r,s=1

∇(ρ − r) =

n X
m
X
i=1 r,s=1
n X
m
X

g rs

rs ∂xi ∂xi

∂ts ∂tr

ei =

n
X

g̃ ii ei ,

i=1

∂
∂xi
(ρ − |x − x0 |)
ei
∂ts
∂tr

n
X
∂
∂xj ∂xi
=
g
(ρ − |x − x0 |)
ei
∂xj
∂ts ∂tr
i=1 r,s=1
j=1


n X
m
X
(x − x0 )j ∂xj ∂xi
rs
ei
=
g
−
|x − x0 | ∂ts ∂tr
i,j=1 r,s=1

= −

rs

n
X
(x − x0 )j

|x − x0 |
i,j=1

ji

g̃ ei = −

n
X
(x − x0 )j
i,j=1

r

g̃ ji ei

(2.2)

24

e
∇ϕ =

n
X

δi ϕ.ei .

i=1

Assim, para cada i,
n
X
(x − x0 )j

0

ii

δi ψ = λ(ρ − r)ϕ.g̃ − (x − x0 )i ϕλ (ρ − r)

j=1

r

g̃ ji + (x − x0 )i λ(ρ − r)δi ϕ

Somando em i e usando a proposição 1.1.1, temos
n
X

δi ψ = λ(ρ − r)ϕ.

i=1

n
X

0

ii

g̃ − ϕrλ (ρ − r)

i=1

+

n
X
(x − x0 )i (x − x0 )j

r

i,j=1

r

g̃ ji +

n
X

(x − x0 )i λ(ρ − r)δi ϕ

i=1
n
X
|x − x0 |2
≥ mλ(ρ − r)ϕ − ϕrλ (ρ − r)
+ λ(ρ − r)
(x − x0 )i δi ϕ
r2
i=1
0

0

= mλ(ρ − r)ϕ − ϕrλ (ρ − r) + λ(ρ − r)

n
X

(x − x0 )i δi ϕ

i=1

Substituindo na equação (2.2),
Z
λ(ρ − r)ϕ

−
M

n
X

Z

Z

M

M

i=1

Z
λ(ρ − r)

+

0

rϕλ (ρ − r) dσ +

λ(ρ − r)ϕ dσ −

Hi (x − x0 )i dσ ≥ m

M

n
X

(x − x0 )i δi ϕ dσ,

i=1

daı́,
Z
mϕx0 (ρ) −

Z

0

rϕλ (ρ − r) dσ ≤ −

λ(ρ − r)ϕ

M

M

Z
−

λ(ρ − r)
M

n
X

Hi (x − x0 )i dσ −

i=1
n
X

(x − x0 )i δi ϕ dσ

i=1

Z
= −

λ(ρ − r)ϕhH, x − x0 i dσ −
ZM

−
Z

λ(ρ − r)hx − x0 , ∇ϕi dσ
M

≤

λ(ρ − r)ϕ|hH, x − x0 i| dσ
MZ

λ(ρ − r)|hx − x0 , ∇ϕi| dσ

+
M

25

Z

Z

0

mϕx0 (ρ) −

rϕλ (ρ − r) dσ ≤

λ(ρ − r)ϕ|H||x − x0 | dσ +

M

MZ

λ(ρ − r)|x − x0 ||∇ϕ| dσ

+
Z

M

rλ(ρ − r)(|∇ϕ| + |H|ϕ) dσ.

=
M
0

Como λ(ρ − r) ≥ 0 e λ (ρ − r) ≥ 0 (pois λ(t) é não-decrescente), para r ≤ ρ, temos que
0

0

rλ(ρ − r) ≤ ρλ(ρ − r) e rλ (ρ − r) ≤ ρλ (ρ − r).

(2.3)

Para r ≥ ρ, temos λ(ρ − r) = 0, e as desigualdades (2.3) seguem trivialmente. Com isso,
obtemos
Z

Z

0

ρλ(ρ − r)(|∇ϕ| + |H|ϕ) dσ,

ρϕλ (ρ − r) dσ ≤

mϕx0 (ρ) −

M

M

isto é,
0

mϕx0 (ρ) − ρϕx0 (ρ) ≤ ρψx0 (ρ).
Logo,
d
−
dρ



ϕx0 (ρ)
ρm



1
=
ρ

0

mϕx0 (ρ) ρϕx0 (ρ)
−
ρm
ρm

!

1
≤
ρ



ρψx0 (ρ)
ρm


=

ψx0 (ρ)
.
ρm

Lema 2.1.2 Sejam ϕ como no Lema 2.1.1 e x0 ∈ M tal que ϕ(x0 ) ≥ 1. Defina ϕx0 , ψ x0 em
(0, +∞) por
Z
ϕx0 (ρ) =

ϕ(x) dσ(x)
Sρ (x0 )

e
Z
[|∇ϕ(x)| + |H|ϕ(x)] dσ(x),

ψ x0 (ρ) =
Sρ (x0 )

R
1
−1
onde Sρ (x0 ) = {x ∈ M : |x − x0 | ≤ ρ}. Então, existe ρ tal que 0 < ρ < 2[ωm
ϕ dσ] m e
M
m

ϕx0 (4ρ) ≤ 4



−1
ωm

 m1

Z
ϕ dσ

ψ x0 (ρ),

M

onde ωm denota a medida de Lebesgue da bola unitária em Rm .
Demonstração. Sejam ϕx0 , ψx0 como no Lema 2.1.1, então


d ϕx0 (ρ)
ψx (ρ)
−
≤ 0m .
m
dρ
ρ
ρ

(2.4)

26

R
1
−1
Seja ρ0 = 2[ωm
ϕ dσ] m > 0. Assuma que t ∈ (0, ρ0 ). Integrando (2.4) no intervalo (t, ρ0 ),
M
obtemos
−m

t

ϕx0 (t) − ρ−m
0 ϕx0 (ρ0 ) ≤

Z ρ0

ρ−m ψx0 (ρ)dρ

t

Daı́,
−m

t

ϕx0 (t) ≤

ρ−m
0 ϕx0 (ρ0 ) +

Z ρ0

ρ−m ψx0 (ρ)dρ

(2.5)

0

Agora, seja ε ∈ (0, t) e suponha que a função λ que aparece na definição de ϕx0 , ψx0 é tal que
λ(t) = 1, ∀ t ≥ ε. Então,
Z
Z
ϕx0 (t) =
ϕ(x)λ(t − r) dσ =
ϕ(x)λ(t − r) dσ
M
M ∩St (x0 )
Z
Z
ϕ(x)λ(t − r) dσ
ϕ(x)λ(t − r) dσ +
=
M ∩(St (x0 )\St−ε (x0 ))
M ∩St−ε (x0 )
Z
Z
ϕ(x)λ(t − r) dσ
ϕ(x) dσ +
=
M ∩(St (x0 )\St−ε (x0 ))
M ∩St−ε (x0 )
Z
≥
ϕ(x) dσ = ϕx0 (t − ε),

(2.6)
(2.7)
(2.8)
(2.9)

M ∩St−ε (x0 )

Z

Z

ϕx0 (ρ0 ) =

ϕ(x) dσ +
M ∩Sρ0 −ε (x0 )

ϕ(x)λ(ρ0 − r) dσ

(2.10)

ϕ(x) dσ

(2.11)

M ∩(Sρ0 (x0 )\Sρ0 −ε (x0 ))

Z

Z
≤

ϕ(x) dσ +
M ∩Sρ0 −ε (x0 )

M ∩(Sρ0 (x0 )\Sρ0 −ε (x0 ))

Z
=
M ∩Sρ0 (x0 )

ϕ(x) dσ = ϕx0 (ρ0 )

(2.12)

e
Z
[|∇ϕ(x)| + |H|ϕ(x)]λ(ρ − r) dσ

ψx0 (ρ) =
ZM

[|∇ϕ(x)| + |H|ϕ(x)]λ(ρ − r) dσ

=
M ∩Sρ (x0 )

Z
[|∇ϕ(x)| + |H|ϕ(x)] dσ

=
M ∩Sρ−ε (x0 )

Z
+
Z

[|∇ϕ(x)| + |H|ϕ(x)]λ(ρ − r) dσ
Z
[|∇ϕ(x)| + |H|ϕ(x)] dσ +

M ∩(Sρ (x0 )\Sρ−ε (x0 ))

≤
M ∩Sρ−ε (x0 )

M ∩(Sρ (x0 )\Sρ−ε (x0 ))

[|∇ϕ(x)| + |H|ϕ(x)] dσ

27

Z
ψx0 (ρ) ≤
M ∩Sρ (x0 )

[|∇ϕ(x)| + |H|ϕ(x)] dσ = ψ x0 (ρ).

Substituindo essas estimativas em (2.5), obtemos
−m

t

ϕx0 (t − ε) ≤ ρ−m
0 ϕx0 (ρ0 ) +

Z ρ0

ρ−m ψ x0 (ρ)dρ.

0

Como t < ρ0 e ε ∈ (0, t) são arbitrários, segue que
sup t

−m

t∈(0,ρ0 )

ϕx0 (t) ≤ ρ−m
0 ϕx0 (ρ0 ) +

Z ρ0

ρ−m ψ x0 (ρ)dρ.

(2.13)

0

Suponha, ao contrário do estabelecido no lema, que ψ x0 (ρ) < 2.4−m ρ−1
0 ϕx0 (4ρ), ∀ ρ ∈ (0, ρ0 ).
Então,
Z ρ0
ρ

−m

ψ x0 (ρ)dρ ≤

0

=
≤
≤
≤

2.4−m ρ−1
0

Z ρ0

ρ−m ϕx0 (4ρ) dρ

Z 4ρ0 0
1 −1
ρ0
t−m ϕx0 (t) dt
2
0

Z
Z +∞
ρ0
1 −1
−m
−m
ρ
t ϕx0 (t) dt +
t ϕx0 (t) dt
2 0
0
ρ0
Z ρ0

Z
Z +∞
1 −1
−m
−m
t ϕx0 (t) dt +
ρ
ϕ dσ
t dt
2 0
0
M
ρ0
#
"
Z
1 −1
1
−m
1−m
ϕ dσ .
ρ
ρ0 sup t ϕx0 (t) +
ρ
2 0
m−1 0
t∈(0,ρ0 )
M

Segue de (2.13),
Z
1
1
−m
−m
−m
sup t ϕx0 (t) ≤ ρ0 ϕx0 (ρ0 ) +
ρ
ϕ dσ
2 t∈(0,ρ0 )
2(m − 1) 0
M

Z
1
−m
≤ ρ0
1+
ϕ dσ.
2(1 − m)
M
Substituindo ρ0 ,
−m

sup t
t∈(0,ρ0 )

1−m

ϕx0 (t) ≤ 2


ωm 1 +

1
2(m − 1)



Usando o Lema 1.2.1 e a suposição ϕ(x0 ) ≥ 1, obtemos
Z
1
σ(Sρ (x0 ))
sup m
ϕ dσ < lim+
,
ρ→0
ρm
t∈(0,ρ) t
St (x0 )

< ωm .

28

que é uma contradição.
Demonstração. (Teorema 2.1.1) Suponha, inicialmente, que p = 1 e, sem perda de
generalidade, ϕ ≥ 0. Usando um argumento de cobertura e o Lema 2.1.2, provaremos que

1/m Z
Z
−1
ωm
ϕ dσ
.
(|∇ϕ| + |H|ϕ) dσ.
σ({x ∈ M : ϕ(x) ≥ 1}) ≤ 4
m

M

(2.14)

M

Suponha que A = {x ∈ M : ϕ(x) ≥ 1} =
6 ∅. Para cada x ∈ A, sejam ϕx (ρ) e ψ x (ρ), como

R
1/m
−1
no Lema 2.1.2, e J = ωm
ϕ dσ
.
M
Sejam ρi = 4.2−i J, i = 1, 2, ... e



1
m
Ai = x ∈ A : ϕx (4ρ) ≤ 4 Jψ x (ρ), para algum ρ ∈
ρi , ρi .
2
S
Segue do Lema 2.1.2 que A = ∞
i=1 Ai .
Defina indutivamente a sequência F0 , F1 , ... de subconjuntos de A como a seguir:
i) F0 = ∅
ii) Seja k ≥ 1 e suponha que F0 , ..., Fk−1 estão bem definidos. Seja
Bk = Ak \

k−1
[

[

S2ρi (x).

i=0 x∈Fi

Se Bk = ∅, então Fk = ∅. Se Bk 6= ∅, então escolha Fk um subconjunto finito de Bk tal
S
que Bk ⊂ x∈Fk S2ρk (x) e os conjuntos Sρk (x), com x ∈ Fk , são dois a dois disjuntos.
Então, valem as seguintes propriedades:
(a) Fi ⊂ Ai , para i = 1, 2, ..., pois Fi ⊂ Bi ⊂ Ai ;
S S
(b) A ⊂ +∞
i=1
x∈Fi S2ρi (x), pois se x ∈ A, então x ∈ Ak , para algum k, assim x ∈
Sk−1 S
S
S
(x)
ou
x
∈
B
⊂
2ρ
k
i
i=0
x∈Fi
x∈Fk S2ρk (x); e
(c) os conjuntos da coleção enumerável Sρi (x), x ∈ Fi , i = 1, 2, ..., são disjuntos.
Por (a), temos, para cada x ∈ Fi ,
ϕx (4ρ) ≤ 4m Jψ x (ρ),

(2.15)

29

para algum ρ ∈

1
ρ , ρ . Como 2ρi ≤ 4ρ e ρ ≤ ρi , temos que
2 i i



Z

Z
ϕ dσ ≤

ϕx (2ρi ) =

ϕ dσ = ϕx (4ρ),
S4ρ (x)

S2ρi (x)

Z

Z
(|∇ϕ| + |Hϕ|) dσ ≤

ψ x (ρ) =
Sρ (x)

(|∇ϕ| + |Hϕ|) dσ = ψ x (ρi )
Sρi (x)

e segue de (2.15) que
ϕx (2ρi ) ≤ 4m Jψ x (ρi ), para cada x ∈ Fi .

(2.16)

Somando sobre todo x ∈ Fi , i = 1, 2, ..., usando as propriedades (b) e (c) e (2.16), obtemos
σ(M1 ) ≤

∞
X

σ(S2ρi (x)) ≤

ϕ dσ

(2.17)

(|∇ϕ| + |Hϕ|) dσ

(2.18)

i=1

≤ 4m J
≤ 4m J

∞ Z
X
i=1

∞ Z
X

S2ρi (x)

Sρi (x)

Zi=1

(|∇ϕ| + |Hϕ|) dσ,

(2.19)

M

onde M1 = {x ∈ M : ϕ(x) ≥ 1}, o que demonstra (2.14).
Agora, sejam α, ε > 0 constantes arbitrárias e λ ∈ C 1 (R) uma função não-decrescente
tal que λ(t) = 0 para t ≤ −ε e λ(t) = 1 para t ≥ 0. Tomando λ(ϕ − α) no lugar de
ϕ, temos que λ(ϕ − α) = 1 (ou ≥ 1) quando ϕ − α ≥ 0, isto é, ϕ(x) ≥ α, ou seja,
x ∈ Mα = {x ∈ M : ϕ(x) ≥ α}. Substituindo em (2.19), obtemos
m

σ(Mα ) ≤ 4



−1
ωm

1/m Z
.
[|∇(λ(ϕ − α))| + |H|λ(ϕ − α)] dσ (2.20)
λ(ϕ − α) dσ

Z

−1/m
= 4m ωm

M

M

Z

1/m Z

M

0

[λ (ϕ − α)|∇ϕ| + |H|λ(ϕ − α)] dσ.(2.21)

λ(ϕ − α) dσ
M

Multiplicando ambos os lados de (2.21) por α1/(m−1) , usando que 0 ≤ λ(t) ≤ 1, ∀ t, e que
λ(ϕ − α) = 0 para ϕ − α ≤ −ε (α ≥ ϕ + ε), temos

30

α

1/(m−1)

m

1/(m−1)

−1/m
ωm

1/m

Z

σ(Mα ) ≤ 4 α
λ(ϕ − α) dσ
×
M
Z
0
×
[λ (ϕ − α)|∇ϕ| + |H|λ(ϕ − α)] dσ.
M
m

1/(m−1)

−1/m
ωm

1/m

Z

= 4 α
λ(ϕ − α) dσ
×
Mα−ε
Z
0
×
[λ (ϕ − α)|∇ϕ| + |H|λ(ϕ − α)] dσ.
M
m

≤ 4

−1/m
ωm

Z
α

m/(m−1)

1/m
×

dσ

Mα−ε

Z

0

[λ (ϕ − α)|∇ϕ| + |H|λ(ϕ − α)] dσ,

×
M

isto é,
α

1/(m−1)

m

σ(Mα ) ≤ 4

−1/m
ωm

Z

m/(m−1)

(ϕ + ε)

1/m Z

0

[λ (ϕ − α)|∇ϕ| + |H|λ(ϕ − α)] dσ.

dσ
M

M

Integrando a desigualdade em (0, +∞) com relação a α e usando que
Z +∞

+∞
0

λ (ϕ − α) dα = −λ(ϕ − α)
0

e
Z +∞

+∞

λ(ϕ − α) dα = αλ(ϕ − α)
0

0

Z +∞

αλ (ϕ − α) dα =
0

0

≤ (ϕ + ε)

0

αλ (ϕ − α) dα
0
+∞

0

λ (ϕ − α) dα = (ϕ + ε)(−λ(ϕ − α))
0

obtemos

Z +∞
+

Z +∞
≤ ϕ + ε,

= λ(ϕ) ≤ 1
0

= (ϕ + ε)λ(ϕ)
0

31

Z +∞
α

1/(m−1)

m

σ(Mα ) dα ≤ 4

−1/m
ωm

Z
(ϕ + ε)

0

1/m

m/(m−1)

×

dσ

M

Z +∞ Z

0

[λ (ϕ − α)|∇ϕ| + |H|λ(ϕ − α)] dσdα

×
0
m

M

−1/m
ωm

Z

1/m

m/(m−1)

×

Z +∞
Z +∞
Z 
0
|∇ϕ|
λ (ϕ − α)dα + |H|
λ(ϕ − α)dα dσ
×

= 4

(ϕ + ε)

dσ

M

M

0

−1/m
≤ 4m ωm

Z

0

(ϕ + ε)m/(m−1) dσ

1/m Z
[|∇ϕ| + |H|(ϕ + ε)] dσ.

M

M

Pela fórmula da coarea,
Z +∞
Z +∞
Z
1/(m−1)
1/(m−1)
α
σ(Mα ) dα =
α
0

|∇ϕ| dσ dα

{ϕ≥α}

0

Z +∞ Z

α1/(m−1) |∇ϕ| dσ dα

=
{ϕ≥α}

0

Z +∞ Z ∞ Z

α1/(m−1) dτ dα

=
−∞

0

{ϕ=α}

Z ∞Z

m−1
αm/(m−1) dτ
m
−∞ {ϕ=α}
Z
m−1
ϕm/(m−1) dσ,
=
m
M
=

Fazendo ε → 0, obtemos
m−1
m

Z
ϕ

m/(m−1)

m

dσ ≤ 4

Z

−1/m
ωm

m/(m−1)

ϕ

1/m Z
[|∇ϕ| + |H|ϕ] dσ.

dσ

M

M

M

Daı́,
Z

m/(m−1)

ϕ

1− m1

m

≤4

dσ

−1/m
ωm

M

Logo,
Z

1∗

1/1∗

ϕ dσ

m
m−1

Z
[|∇ϕ| + |H|ϕ] dσ.
M

Z
≤C

[|∇ϕ| + |H|ϕ] dσ.
M

M

Para o caso p ∈ (1, m), tome ψ = ϕα , vale que
Z

α 1∗

|ϕ | dσ
M

 11∗

Z
≤C
M

(|∇(ϕα )| + |Hϕα |)dσ.

32

Temos que ∇(ϕα ) = αϕα−1 ∇ϕ. Assim,
Z

 11∗

α 1∗

Z

α−1

≤ Cα

|ϕ | dσ

|∇ϕ||ϕ

Z

M

M

|Hϕ||ϕα−1 |dσ.

| dσ + C
M

Tome α = p∗ /1∗ , com p ∈ (1, m), então α = pm−p
> 1. Usando a desigualdade de Hölder,
m−p
Z

1/1∗

α 1∗

|ϕ | dσ

Z

α−1

≤ Cα

|∇ϕ||ϕ

M

Z
| dσ +

|Hϕ||ϕ

M

α−1


|dσ

M

Z

1/p Z

p

≤ Cα

(α−1)q

|∇ϕ| dσ

1/q

|ϕ|

M

+

M

Z

1/p Z

p

(α−1)q

1/q

|ϕ|
M
"
1/p #
Z
1/q Z
1/p Z
|ϕ|(α−1)q
|Hϕ|p dσ
,
= Cα
|∇ϕ|p dσ
+
|Hϕ| dσ

+ Cα

M

M

onde

M

M

1 1
+ = 1. Observe que
p q
1
1
1 1
1
−
=
−
=
1∗ p∗
1 p
q

e

 ∗



p
1
1
∗
(α − 1)q =
−1 q =p
− ∗ q = p∗ .
∗
∗
1
1
p

Daı́,
Z

p∗

 11∗

Z

1/q "Z

|ϕ|

≤ Cα

|ϕ| dσ

p∗

|∇ϕ| dσ

M

M

1/p

p

Z

p

1/p #

|Hϕ| dσ

+

,

M

M

o que implica
Z

p∗

 11∗ − 1q

"Z

|∇ϕ|p dσ

≤ Cα

|ϕ| dσ

1/p

Z

M

M

|Hϕ|p dσ

+

1/p #
.

M

Portanto,
Z

p∗

|ϕ| dσ

1/p∗

"Z
≤ C(m, p)

M

como querı́amos demonstrar.

M

|∇ϕ|p dσ

1/p

Z
+
M

|Hϕ|p dσ

1/p #
,

33

2.2

Uma Desigualdade do Valor Médio para Funções
Subharmônicas

Para cada função h ∈ C 2 (U ), ∆h é definido por
n
X
∂h
∂ 2h
(x) +
Hi (x)
(x)
∆h(x) =
g̃ (x)
∂x
∂x
∂x
i
j
j
j=1
i,j=1
n
X

ij

(2.22)

para x ∈ M .
Definição 2.2.1 Uma função real χ em M é chamada fracamente subharmônica se é σintegrável em M e
Z
χ(x)∆h(x)dσ(x) ≥ 0

(2.23)

M

pra cada função não-negativa h ∈ C02 (U ).
Observação 2.2.1 Toda função subharmônica é fracamente subharmônica. De fato, sejam
u ∈ C 2 uma função subharmônica, isto é, ∆u ≥ 0, e h ∈ C02 (U ) uma função não-negativa.
Temos
Z

Z

Z
div(h∇u)dσ −

h∆u dσ =
M

ZM

h∇h, ∇uidσ
ZM
h∇h, ∇uidσ

hh∇u, νidσ −

=

M

∂M
Z

= −

h∇h, ∇uidσ,
M

da mesma forma
Z

Z

Z
div(u∇h)dσ −

u∆h dσ =
M

MZ

= −

h∇u, ∇hidσ
M

h∇u, ∇hidσ,
M

logo,
Z

Z
h∆u dσ ≥ 0,

u∆h dσ =
M

M

isto é, u é subharmônica.
O lema seguinte será usado na demonstração do resultado principal desta seção.

34

Lema 2.2.1 Sejam λ ∈ C 2 (R) uma função não-decrescente tal que λ(t) = 0 quando t ≤ 0,
e χ uma função não-negativa fracamente subharmônica em M. Para cada x0 ∈ M , definimos
ϕx0 , ψx0 por
Z
χ(x)λ(ρ − r) dσ(x)

ϕx0 (ρ) =
M

e
Z
χ(x)|H(x)|λ(ρ − r) dσ(x),

ψx0 (ρ) =
M

onde r = |x − x0 |. Então,
d
−
dρ



ϕx0 (ρ)
ρm


≤ρ

−m−1

Z ρ

tψx0 0 (t) dt

0

para cada ρ ∈ (0, d), onde d = dist(x0 , ∂U ).
Demonstração. Seja γ definida em R por
Z ∞
γ(s) =
tλ(ρ − t) dt.
s
0

00

0

Como γ (r) = rλ(ρ − r) e γ (r) = λ(ρ − r) + rλ (ρ − r), segue que γ(r), onde r = |x − x0 |,
é C 2 (U ). Quando s ≥ ρ, temos γ(s) = 0, isto é, se ρ < d, então γ tem suporte compacto em
U. Assim, quando ρ < d, podemos calcular ∆γ(r) usando (2.22). Temos
∂
∂r
(x − x0 )j
0
= −λ(ρ − r)(x − x0 )j
(γ(r)) = γ (r) ·
= −rλ(ρ − r)
∂xj
∂xj
r
e


∂ 2 (γ(r))
∂
∂
∂
=
(γ(r)) = −
(λ(ρ − r)(x − x0 )j )
∂xi xj
∂xi ∂xj
∂xi


∂
∂
= − (x − x0 )j ·
(λ(ρ − r)) + λ(ρ − r) ·
(x − x0 )j
∂xi
∂xi


∂r
0
= − −(x − x0 )j · λ (ρ − r)
+ λ(ρ − r)δij
∂xi
(x − x0 )i
0
= λ (ρ − r)(x − x0 )j ·
− λ(ρ − r)δij ,
r

35

logo,
n
X



(x − x0 )i
0
− λ(ρ − r)δij −
∆(γ(r)) =
λ (ρ − r)(x − x0 )j ·
g̃
r
i,j=1
−

ij

n
X

Hj λ(ρ − r)(x − x0 )j

j=1
0

= rλ (ρ − r)
−λ(ρ − r)

n
X

g̃

ij (x − x0 )i (x − x0 )j

r

i,j=1
n
X

r

− λ(ρ − r)

n
X

g̃ ii −

i=1

(x − x0 )j Hj .

j=1

Usando a Proposição 1.1.1, obtemos
0

∆(γ(r)) ≤ rλ (ρ − r) − mλ(ρ − r) + λ(ρ − r)h−H, x − x0 i
0

≤ rλ (ρ − r) − mλ(ρ − r) + λ(ρ − r)|H|r.
Por (2.23),
Z
0 ≤

χ ∆(γ(r))dσ
ZM

≤

0

χ (rλ (ρ − r) − mλ(ρ − r) + λ(ρ − r)|H|r) dσ,
M

o que nos dá
Z

Z

χ |H|rλ(ρ − r) dσ,

χ rλ (ρ − r) dσ ≤

χ λ(ρ − r) dσ −

m

Z

0

M

M

M

isto é,

Z
mϕx0 (ρ) −

Z

0

χ rλ (ρ − r) dσ ≤
M

χ |H|rλ(ρ − r) dσ.

(2.24)

M
0

Observe que derivando λ (com relação a ρ), temos que λ (ρ − r) ≥ 0 (pois λ é não
decrescente). Assim, para r < ρ, temos
0

0

rλ (ρ − r) ≤ ρλ (ρ − r),
para r ≥ ρ, (2.25) segue trivialmente.

(2.25)

36

Com isso,
Z

Z

0

0

χ rλ (ρ − r) dσ ≤ ρ

χ λ (ρ − r) dσ
M
Z

d
χλ(ρ − r) dσ
= ρ·
dρ
M

M

0

= ρϕx0 (ρ)
e
Z

Z ρ

Z
χ |H|rλ(ρ − r) dσ =

M

Z0 ρ

ZM

0

rλ (t − r) dt dσ

χ |H|

0

χ |H|
tλ (t − r) dt dσ
M
0
Z ρ Z
0
=
t
χ |H|λ (t − r) dσ dt
Z0 ρ M
0
=
tψx0 (t).

≤

0

Consequentemente, (2.24) nos dá
Z ρ

0

mϕx0 (ρ) − ρϕx0 (ρ) ≤

0

tψx0 (t) dt,
0

e obtemos
d
−
dρ



ϕx0 (ρ)
ρm

0


= −

ρm ϕx0 (ρ) − ϕx0 (ρ)mρm−1
ρ2m
0

ρm−1 (mϕx0 (ρ) − ρϕx0 (ρ))
=
ρ2m
Z ρ
0
≤ ρ−m−1
tψx0 (t) dt.
0

Corolário 2.2.1 Se as hipóteses do Lema 2.2.1 são satisfeitas, então


d ϕx0 (ρ)
ψx0 (ρ)
−
≤
,
dρ
ρm
ρm
para cada ρ ∈ (0, d).

!

37

De fato,

Z ρ

Z ρ

0

0

tψx0 (t) dt ≤ ρ

ψx0 (t) dt = ρψx0 (ρ),
0

0

daı́,
d
−
dρ



ϕx0 (ρ)
ρm


≤ρ

−m−1

Z ρ

0

tψx0 (t) dt ≤ ρ−m ψx0 (ρ).

0

Observe que se existe uma constante Λ tal que |H| ≤ Λ em M, então ψx0 (ρ) ≤ Λϕx0 (ρ)
e, segue do Corolário 2.2.1, que
d
−
dρ



ϕx0 (ρ)
ρm


≤Λ

ϕx0 (ρ)
.
ρm

Integrando no intervalo [t, ρ], onde t ∈ (0, ρ), obtemos

− log

ϕx0 (ρ)
ρm




+ log

ϕx0 (t)
tm


≤ Λρ − Λt ≤ Λρ,

como a exponencial é crescente,


ϕx0 (ρ)
ρm

−1
·

ϕx0 (t)
≤ eΛρ ,
m
t

isto é,
ϕx0 (t)
Λρ ϕx0 (ρ)
≤
e
·
,
tm
ρm
daı́,
ϕx0 (t)
ϕx (ρ)
≤ eΛρ · 0m ,
m
t
ρ
t∈(0,ρ)
sup

para todo ρ ∈ (0, d). Escolhendo λ tal que λ(t) = 1, quando t ≥ ε, e fazendo ε → 0+ , segue
que
Λρ

χ(x0 ) ≤ e

−1 −m
ρ0
ωm

Z
χ dσ,
Sρ0 (x0 )

pela expansão da série de Taylor,


Z
(Λρ)m
Λρ (Λρ)2
−1 −m
+
+ ··· +
+ . . . ωm ρ
χ(x) dσ(x).
χ(x0 ) ≤ 1 +
1!
2!
m!
Sρ (x0 )
O teorema a seguir mostra que esse resultado pode ser melhorado.
Teorema 2.2.1 Seja χ uma função não-negativa fracamente subharmônica em M e suponha
que existe uma constante Λ tal que |H(x)| ≤ Λ, ∀ x ∈ M . Para cada x0 ∈ M , seja d(x0 ) =

38

d(x0 , ∂U ). Então, para quase todo x0 ∈ M e todo ρ ∈ (0, d(x0 )), temos


Z
(Λρ)m −1 −m
Λρ (Λρ)2
χ(x) dσ(x).
+
+ ··· +
ωm ρ
χ(x0 ) ≤ 1 +
1!
2!
m!
Sρ (x0 )
Demonstração. Sejam ϕx0 , ψx0 como no Lema 2.2.1. Desde que |H(x)| ≤ Λ, temos
0

0

ψx0 (ρ) ≤ Λϕx0 (ρ) e, pelo Lema 2.2.1,


Z ρ
d ϕx0 (ρ)
0
−m−1
−
tϕx0 (t) dt,
≤ Λρ
m
dρ
ρ
0

(2.26)

para cada ρ ∈ (0, d(x0 )). Sejam ρ0 ∈ (0, d(x0 )) e, para 0 ≤ s ≤ m,

Z ρ0 Z ρ
0
Ts =
tϕx0 (t) dt ρ−s−1 dρ.
0

0

Integrando (2.26) no intervalo (t, ρ0 ), com 0 < t < ρ0 , obtemos

Z ρ0 Z ρ
ϕx0 (t) ϕx0 (ρ0 )
0
−
≤ Λ
tϕx0 (t) dt ρ−m−1 dρ
tm
ρm
0

Zt ρ0 Z0 ρ
0
≤ Λ
tϕx0 (t) dt ρ−m−1 dρ = ΛTm ,
0

0

ou seja,
ϕx0 (t)
ϕx (ρ0 )
≤ 0 m + ΛTm .
m
t
ρ0
Usando integração por partes, temos
Z ρ0
Z ρ
0
−s−1
Ts =
ρ
tϕx0 (t) dt dρ
0

ρ0

Z ρ

= −s ρ

0

−s−1 ρ−s
0

Z ρ0
−

tϕx0 (t) dt
0

0

Z ρ0

0

−1

Z ρ0

0

(−s−1 ρ−s .ρϕx0 (ρ)) dρ

(2.29)

0

tϕx0 (t) dt + s

−1

Z ρ0

0

≤ s

(2.28)

0
−1 −s

=

(2.27)

0

ρ1−s ϕx0 (ρ) dρ

(2.30)

0
0

ρ1−s ϕx0 (ρ) dρ

(2.31)

0

"

ρ0

= s−1 ρ1−s ϕx0 (ρ)

−
0

=

Z ρ0

#
(1 − s)ρ−s ϕx0 (ρ) dρ

(2.32)

0

−1
s−1 ρ1−s
0 ϕx0 (ρ0 ) + s (s − 1)

Z ρ0
0

ρ−s ϕx0 (ρ) dρ.

(2.33)

39

Agora, podemos escrever
Z ρ0
Z ρ0
−s
ρm−s (ρ−m, ϕx0 (ρ)) dρ
ρ ϕx0 (ρ) dρ =
0

0

daı́, usando integração por partes e a equação (2.26), obtemos
Z ρ0
Z ρ0
−s
ρm−s (ρ−m, ϕx0 (ρ)) dρ
ρ ϕx0 (ρ) dρ =
0

0


0
ρm−s+1
ϕx0 (ρ)
dρ
m−s+1
ρm
0
#
ρ0
Z ρ
Z ρ0
0
ρ−s Λ
tϕx0 (t) dtdρ
ρ1−s ϕx0 (ρ) +

ρm−s+1
=
.ρ−m ϕx0 (ρ) −
m−s+1
"
≤ (m − s + 1)−1

Z ρ0

0

= (m − s + 1)

−1

= (m − s + 1)

−1



ρ1−s
0 ϕx0 (ρ0 ) + Λ

0

0

Z ρ 0 Z ρ

0
1−s
[ρ0 ϕx0 (ρ0 ) + ΛTs−1 ].



−s
tϕx0 (t) dt ρ dρ
0

0

Substituindo em (2.33), teremos
−1
−1 1−s
Ts ≤ s−1 ρ1−s
0 ϕx0 (ρ0 ) + s (s − 1)(m − s + 1) [ρ0 ϕx0 (ρ0 ) + ΛTs−1 ]


s−1
s−1
· ΛTs−1
+
= s−1 ρ1−s
0 ϕx0 (ρ0 ) 1 +
m−s+1
s(m − s + 1)
m
s−1
=
ρ01−s ϕx0 (ρ0 ) +
· ΛTs−1
s(m − s + 1)
s(m − s + 1)

para 1 ≤ s ≤ m. Combinando (2.36), para s = 1, 2, ..., m, com (2.27), obtemos


ϕx0 (t)
Λρ0 (Λρ0 )
(Λρ0 )m ϕx0 (ρ0 )
≤ 1+
+
+ ... +
.
tm
1!
2!
m!
ρm
0

(2.34)
(2.35)
(2.36)

(2.37)

Agora, seja ε ∈ (0, t) e escolha λ tal que λ(t) = 1 quando t ≥ 0. A equação (2.37), usando
(2.9) e (2.12), com χ no lugar de ϕ, nos dá


Z
Z
Λρ0
(Λρ0 )m −m
−m
χ dσ ≤ 1 +
+ ... +
ρ0
χ dσ.
t
1!
m!
Sρ0 (x0 )
St−ε (x0 )
Como t ∈ (0, ρ0 ) e ε ∈ (0, t), segue que


Z
Z
Λρ0
(Λρ0 )m −m
−m
sup t
χ dσ ≤ 1 +
+ ... +
ρ0
χ dσ,
1!
m!
t∈(0,ρ0 )
St (x0 )
Sρ0 (x0 )

40

o que implica

Z
(Λρ0 )m −m
Λρ0
+ ... +
ρ0
χ dσ,
dσ ≤ 1 +
1!
m!
Sρ0 (x0 )
St (x0 )


Z

−m

sup max {χ(x)}t
t∈(0,ρ0 ) St (x0 )

ou ainda
−m

lim max {χ(x)}t
t→0 St (x0 )


Z
Λρ0
(Λρ0 )m −m
dσ ≤ 1 +
+ ... +
ρ0
χ dσ.
1!
m!
St (x0 )
Sρ0 (x0 )


Z

Assim, pelo Lema 1.2.1,

Z
(Λρ0 )m −m
Λρ0
+ ... +
ρ0
χ dσ,
χ(x0 )ωm ≤ 1 +
1!
m!
Sρ0 (x0 )


isto é,


Z
Λρ0
(Λρ0 )m −1 −m
χ(x0 ) ≤ 1 +
χ dσ.
+ ... +
ωm ρ0
1!
m!
Sρ0 (x0 )
Pela observação 2.2.1, esse resultado também é válido para funções subharmônicas nãonegativas.

41

Referências
1 Dupaigne, L., Stable solutions of elliptic partial differential equations, Monographs and
Surveys in Pure and Applied Mathemathics, Chapman e Hall, 143.
2 Evans, L. C., Partial diferential equations, Graduate Studies in Mathematics - vol 19,
Departament of Mathematics, University of California, Berkeley.
3 Hoffman, D., Spruck, J, Sobolev and Isoperimetric Inequalities for Riemannian
Submanifolds, Comm. Pure Appl. Math., vol. XXVII (1974) 715-727.
4 Medeiros, A.A., The weighted Sobolev and meam value inequalities, American
Mathematical Society, vol. 143, number 3, 2015, 1229-1239.
5 Michael, J.H., Simon, L.M., Sobolev and mean-value inequalities on generalized
submanifolds of Rn , Comm. Pure Appl. Math. 26 (1973) 361-379.
6 Miranda, M., Disuguaglianze di Sobolev sulle ipersuperfici minimali, Rend. Sem. Mat.
Univ.Padova, 38, 1967.
7 Simon, L. M., Interior gradient bounds for non-uniformly elliptic partial differential
equations of divergence form - Thesis, University of Adelaide, 1971.